Organização católica destaca importância de resposta articulada entre as várias instituições

Setúbal, 17 mar 2022 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Setúbal tem instalações preparadas para receber jovens mães que chegam da Ucrânia, a partir da sua experiência com o Centro de Apoio à Vida.

“Estamos em condições de receber qualquer grávida ou qualquer mãe, com os seus filhos, que precisem de apoio temporário”, refere à Agência ECCLESIA a diretora-técnica do Centro Social de Nossa Senhora da Paz, Carla Carvalho.

A Cáritas Diocesana de Setúbal está a ultimar um protocolo com a Segurança Social para alargar esse acolhimento a mães e grávidas em fuga da guerra.

“Estamos todos no mesmo barco, o que interessa é responder aos problemas das pessoas”, precisa Domingos de Sousa, presidente da organização católica.

O responsável destaca que, nas respostas sociais na área da infância, há disponibilidade para receber crianças e inseri-las nas várias salas, de acordo com a sua idade.

Relativamente ao serviço prestado no Centro de Apoio à Vida, Domingos de Sousa assinala que a recente mudança de instalações libertou um apartamento, com quatro quartos; a estes somam-se outros quatro quartos disponíveis na nova valência, onde já se encontram cinco jovens acompanhadas pela Cáritas.

Carla Carvalho explica que o trabalho neste espaço de acolhimento de jovens mães ou grávidas visa dotá-las de competências “parentais” e profissionais.

Nesse contexto, o espaço ganha relevo na resposta de emergência para quem chega da Ucrânia, sobretudo “mães com crianças”, a população-alvo desta valência.

A diretora-técnica destaca a primeira resposta nas necessidades “básicas”, de habitação, alimentação e segurança, bem como na integração escolar das crianças.

“Temos técnicos de serviço social, psicólogos, ajudantes de ação direta e isso facilita a integração das pessoas”, acrescenta.

Carla Carvalho sublinha, a este respeito, a necessidade de articulação entre municípios, o SEF e as várias instituições sociais.

“Não pode ser cada pessoa, cada instituição por si, senão é o caos”, adverte.

A resposta da Cáritas de Setúbal para os refugiados ucranianos passa por três locais de atendimento: os Centros Sociais de Nossa Senhora da Paz e São Francisco Xavier, em Setúbal, e o Centro Comunitário de São Pedro, em Águas de Moura, concelho de Palmela.

Domingos de Sousa explica que, perante a fuga de centenas milhares de pessoas, houve uma auscultação das várias entidades para determinar a capacidade de resposta que existia, na cidade e na região.

“As redes locais de ação social estão a funcionar muito bem, há uma interajuda enorme entre todas as entidades e instituições”, indica.

A Cáritas, a Cruz Vermelha e o ACM estão a trabalhar com o Município de Setúbal, em articulação, para esta resposta solidária.

O presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal admite que, “nesta onda de solidariedade e de generosidade”, muitas famílias avaliam as suas capacidades de ajudar, com quartos disponíveis, mas não podem suportar um “acréscimo de despesa”.

“Em todas as paróquias há grupos de ação social, que dão apoio em bens alimentares. Essa é a primeira resposta”, recomenda.

Semana Nacional da Cáritas, com o lema ‘O Amor que Transforma’, decorre até 20 de março e inclui a partir de hoje peditório público nacional – nas ruas e em formato online.

A ação da organização católica está no centro da emissão do Programa ‘70×7’ no próximo domingo, pelas 07h30, na RTP2.

LS/OC

Ucrânia: Cáritas da Guarda destaca «resposta extraordinária» no acolhimento de refugiados (c/fotos)

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