Coordenador do Grupo Gólgota, em Santa Maria da Feira, destaca importância de descobrir «novas formas de celebrar a fé»

Lisboa, 28 mar 2021 (Ecclesia) – O padre César Costa, coordenador do Grupo Gólgota, afirmou que a pandemia obrigou a uma “mudança de chip” na vivência da Semana Santa, por causa das limitações impostas às tradicionais recriações nas ruas de Santa Maria da Feira.

“Há um ano que não sabemos o que é ter multidões numa igreja. Para nós ter uma igreja cheia é quando atinge o limite máximo que nos é permitido com os distanciamentos, portanto, creio que cada vez mais vamos experimentando aquilo que as primeiras comunidades experimentavam, de serem poucos, mas de vivermos com entusiasmo a fé, reinventando formas”, indicou o religioso passionista, na entrevista conjunta que a Ecclesia e a Renascença publicam ao domingo.

A Semana Santa costuma ser o ponto alto das atuações do grupo de teatro Gólgota, dos Missionários Passionistas, que este ano recorrem às redes sociais para transmitir as peças com que, em anos anteriores, recriaram momentos da Paixão de Cristo.

“Todos sabemos que a cultura se alia perfeitamente com a fé, desde a imagem, a palavra, os gestos, também a presença no coletivo, são elementos que nos atiraram para uma evangelização inserida profundamente na cultura. E isto faz com que descubramos que podemos estar juntos, ainda que presencialmente não possamos estar”, indica o padre César Costa.

O sacerdote acredita que, apesar da impossibilidade de levar as celebrações da Semana Santa às ruas portugueses, é possível haver “maior união espiritual”, falando numa “oportunidade de ouro” para se apostar mais na cultura.

O religioso sublinha que o trabalho do Gólgota passa pela “recriação histórica”, sendo mais do que teatro.

“Queremos que seja verdadeiramente uma vivência interior por parte daqueles que participam diretamente, e por parte daqueles que nos veem, e que também são convidados a participar”, precisa.

Mais de um ano depois do primeiro confinamento e ainda com a pandemia de Covid-19 presente na vida das comunidades católicas, o religioso admite que foi preciso “reinventar” a evangelização, sempre “centrada no encontrar-se com as pessoas”.

“No último ano, fomos tentando reinventar formas. Há sensivelmente um ano, criamos e lançamos um podcast, ‘Ora Pois’, que procura ser uma presença digital, ao longo das semanas, chegando a várias pessoas. Vamos tentando reinventar, através das redes sociais, mas tem sido difícil conciliar, adaptar-se a uma nova realidade”, realça.

O programa promovido pelo Grupo Gólgota, na Semana Santa, que se inicia hoje, está disponível online e pode ser acompanhado através do Facebook.

Ângela Roque (Renascença), Octávio Carmo (Ecclesia)

 

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