Cardeal português afirma que a Páscoa é o dia em que «a vida verdadeiramente recomeça» para uma humanidade onde o «destino não é o crepúsculo, mas é a aurora»

Cidade do Vaticano 12 abr 2020 (Ecclesia) – O cardeal D. José Tolentino Mendonça disse que a Igreja tem de acompanhar os “crucificados de hoje” e anunciar em todos os tempos a “esperança na ressurreição”.

“Este momento parece desautorizar toda a esperança. A esperança na ressurreição não está desautorizada. Nos temos de ir ao mundo anunciar a Boa Nova da ressurreição”, disse o arcebispo português.

No comentário ao Domingo de Páscoa, integrado na apresentação que fez sobre itinerário da Semana Santa na Agência ECCLESIA, o cardeal Tolentino Mendonça lembrou que a ressurreição descobre-se na “dádiva”, no “dom”, no “lavar os pés”.

“A Boa Nova da ressurreição é a Boa Nova de que amor tem sentido, o cuidado tem uma razão; a dádiva, o dom são o caminho, a gramática, uma lição; o lavar os pés aos outros é o modo de seguir Jesus. Não apenas até à morte, como ponto final. Porque Jesus tira os pontos finais ao que parece uma história sem saída. E mostra que o nosso destino não é o crepúsculo, mas é a aurora”, afirmou.

Para o cardeal Tolentino Mendonça, o Domingo de Páscoa é “o dia para sentir que a vida verdadeiramente recomeça”.

“No atual contexto, pode ser uma pretensão quase estranha: no meio do sofrimento vamos celebrar a alegria? No meio deste exílio vamos de novo tocar as nossas arpas, as nossas liras?”, questionou.

“É muito importante que hoje nós celebremos e contagiemos de alegria o mundo, contagiemos de esperança o mundo”, sublinhou.

D. José Tolentino Mendonça lembrou os bispos e os sacerdotes que, “no meio de dificuldades e limitações da pandemia continuam a animar a suas comunidades”, estão junto dos que sofrem, a “animar os caídos, a acompanhar os coração quebrados, a dizer que há uma esperança e a trazer ao mundo o anúncio pascal”.

“Somos chamados a olhar os acontecimentos do mundo, do presente, o palco onde tanta tragédia e tanto sofrimento acontecem não com uma expectativa vaga, uma incerteza, mas com a certeza que nos vem da ressurreição e isso muda o nosso olhar, porque partimos da certeza que Jesus garante a nossa vida, a nossa existência”, afirmou.

“No meio do bloqueio que é o momento presente, há uma Boa Nova que nós podemos transmitir. Este não é o tempo da suspensão do cristianismo. De uma forma misteriosa, este é o tempo de plenitude para o cristianismo”, acrescentou.

Para o cardeal Tolentino Mendonça, “este é o tempo para, de uma forma mais convicta, mais comprometida, mais entusiasta” ser feito o “anúncio que o coração humana mais espera”.

“O coração humano espera as pequenas soluções para a conjuntura história de cada momento. Mas sobretudo espera por uma palavra que redima o todo da nossa vida, o horizonte máximo da nossa existência. E aí, o anúncio da ressurreição é absolutamente necessário”, afirmou.

D. José Tolentino Mendonça considera que a palavra “Aleleuia” é a “palavra mais bela, também em português”.

“Uma palavra onde se vê expresso nosso fundamental direito à esperança”, lembrou.

O cardeal Tolentino Mendonça disse que não se pode correr o risco de permanecer na Sexta-feira ou no Sábado Santo, tendo por destino a morte, mas é necessário olhar a “irrupção do divino na História” que “acontece pela ressurreição de Jesus”.

“Hoje é o dia da corrida, em que a nossa humanidade estremece. E, na corrida das mulheres e dos discípulos ao sepulcro, vemos emergir a mais bela das notícias: os discípulos entram no sepulcro veem e acreditam que o Senhor está vivo, que ressuscitou como havia dito”, afirmou.

Para D. José Tolentino Mendonça, “há um momento novo na História que começa com a ressurreição” e que retira a morte do destino dos humanos, colocando-o na vida.

Ao longo da Semana Santa, o cardeal D. José Tolentino Mendonça percorreruos “Teatros da Paixão”, de Jesus e da atualidade, numa partilha com os seguidores da Agência ECCLESIA, agora disponível nos perfis do Facebook e da YouTube da Ecclesia.

PR

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