Responsáveis assinalam que na comunidade conseguem combater o estigma e o preconceito

Lisboa, 08 out 2021 (Ecclesia) – O Instituto São João de Deus (ISJD) está a dinamizar os projetos ‘Cuidando’ e ‘Home 360’, respostas comunitárias que pretendem contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas com problemas de saúde mental e demência.

“O ‘CuiDando’ tem este objetivo de alguma forma contribuir para a qualidade de vida das pessoas e para a sua verdadeira autonomia, na sua própria casa, pelo máximo de tempo possível, e para isso trabalha na redução dos internamentos e na redução do número de dias de internamento”, explicou Luís Durães à Agência ECCLESIA.

O gestor de projetos no Instituto São João de Deus afirma que ‘Cuidando’ trabalha para “diminuir as dificuldades” que as pessoas com doença mental têm de acesso “a todos os recursos que existem na comunidade”, mas com doença mental é mais difícil aceder-lhes.

“O projeto funciona com uma base de visitas domiciliárias, normalmente quinzenais, e a nossa equipa multidisciplinar – psicólogos, enfermeiros especialistas em saúde mental e psiquiatria, médico psiquiatra e assistente social – na casa da pessoa conhece o seu ambiente e tentam com a pessoa identificar que necessidades é que na comunidade precisam e sentem para conseguirem tomar um controlo verdadeiro da sua própria vida e sentirem-se integrados”, desenvolveu.

Luís Durães adianta que já participa numa “versão 2.0” do projeto ‘Cuidando’ que nasceu em 2010, na Casa de Saúde São João de Deus em Barcelos, para responder ao “problema muito específico” na área da saúde mental, que é o “fenómeno da porta giratória” porque, depois da alta clínica, regressavam para as mesmas condições de vida.

Segundo o gestor de projetos, na nova versão do projeto, têm um foco maior “na empregabilidade das pessoas”, depois de terem trabalhado “muito na estabilização sintomática em casa, no reforço dos laços familiares e na promoção da ocupação estruturada das pessoas de forma a reduzir os seus internamentos”.

O Instituto São João de Deus dinamiza também o projeto ‘Home 360’ que pretende “promover a inclusão social” das pessoas com demência e dos seus cuidadores, analisando as suas necessidades e as necessidades do contexto onde se inserem.

“Tanto podemos acompanhar uma pessoa que a necessidade é articular com os recursos da comunidade para fazer um planeamento de cuidados, como podemos estar a trabalhar numa adaptação da sua casa, para que a funcionalidade possa ser melhor, a pessoa manter a sua autonomia, ou o cuidador possa ajudar melhor a pessoa, como podemos fazer atividades de estimulação, seja cognitivas, sensoriais, motoras”, explicou Ana Lúcia à Agência ECCLESIA.

A terapeuta ocupacional assinala que também têm a possibilidade de ter alguns tablets, que utilizam quando “vai ao encontro não só dos interesses das pessoas com demência ou quando há essa necessidade” e fazem atividades que podem ser “mais de reminiscência”, com objetivos significativos, como “uma peça de roupa, uma fotografia, aquilo que para a pessoa faz sentido”.

Os dois entrevistados destacaram que quando trabalham na comunidade conseguem combater o estigma e o preconceito que muitas vezes está associado às pessoas com doença mental.

Instituto São João de Deus, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), criado para gerir os estabelecimentos hospitalares da Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira foi fundado a 11 de novembro de 1977.

‘Saúde Mental Num Mundo Desigual’ é o tema do Dia Mundial da Saúde Mental 2021, que se assinala este domingo, 10 de outubro, e esta área pastoral vai estar em destaque no Programa ‘70×7’, às 17h30, na RTP2.

HM/CB/OC

 

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