«Admitir agressões violentas como gestos de fidelidade amorosa não é próprio de pessoas civilizadas, com educação e respeito pela vida humana», escreve D. José Traquina

Foto: RR

Santarém, 28 fev 2019 (Ecclesia) – O bispo de Santarém alerta na sua mensagem da Quaresma 2019 para “a violência doméstica, a morte de mulheres, exploração humana e escravatura”, lembrando a obrigação “de denunciar as injustiças”.

“A preocupação cresce pelo número das mortes de mulheres por violência doméstica e por sabermos da cultura da violência entre os jovens. Admitir agressões violentas como gestos de fidelidade amorosa não é próprio de pessoas civilizadas, com educação e respeito pela vida humana”, escreve D. José Traquina, num texto enviado à Agência ECCLESIA.

Para o bispo de Santarém “é urgente sensibilizar” toda a população para “o cuidado do outro” e para a “responsabilidade da edificação da sociedade”, uma vez que, encorajar denúncias, exigir polícia operacional e uma justiça eficiente “é necessário, mas insuficiente”.

O também presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, dos bispos católicos portugueses, considera que as notícias sobre a violência doméstica, a morte de mulheres, exploração humana e escravatura, são sintoma de um “ambiente familiar e social” que se tem degradado.

“Foi espalhado o medo do acolhimento a estrangeiros, por razões de segurança, e agora, a insegurança, o medo e a violência instalou-se entre os portugueses e nas suas próprias casas”, observa.

D. José Traquina apela à “formação da consciência, a partir da infância, e manter um acompanhamento de qualidade e interesse de uns pelos outros” porque uma sociedade “não pode ser considerada desenvolvida” só porque tem “uma economia a crescer e bens de consumo de fácil acesso”.

“Num tempo em que tanta gente se sente abandonada e agredida, é necessário olhar e interpretar a realidade humana e social com os critérios do Evangelho”, assinala.

O bispos sugere “a dimensão da escuta” para o tempo de preparação para a Páscoa, mais concretamente “do mundo e os seus problemas”, e “escutar a Palavra de Deus para discernir e definir opções”.

D. José Traquina assinala que a caminho quaresmal não se pode deixar de ter presente o “problema dos abusos de menores em contexto eclesial” e o encontro promovido pelo Papa Francisco sobre este tema, entre 21 e 24 de fevereiro.

“Os ministros do altar sabem que a sua vocação e missão exigem e supõem que haja vigilância, oração e cultivo da fidelidade a Cristo Bom Pastor, na fé, esperança e amor generoso”, assinalou.

Lembrando que “o pecado tem uma dimensão coletiva” e que na sociedade “acontece o inconcebível de pecados que são crime”, o bispo de Santarém salienta que todos têm “a obrigação de denunciar as injustiças”, “sob pena” de serem cúmplices.

A Quaresma é um tempo de 40 dias marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão, este ano dia 21 de abril,

Neste contexto, as dioceses dinamizam a sua renúncia quaresmal e a de Santarém vai apoiar o povo da Venezuela, através da Cáritas local depois de ter recolhido mais de 16 mil euros (16 887,26) em 2018.

CB/OC

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