Papa fala da «certeza de que o bem triunfa sempre sobre o mal»

Cidade do Vaticano, 03 mar 2021 (Ecclesia) – A Igreja Católica vive hoje, Sábado Santo, o dia do “grande silêncio”, depois de ter evocado a morte de Jesus Cristo, rumo à celebração da Vigília Pascal, momento central do calendário litúrgico.

“O Sábado Santo é o dia do silêncio, vivido no pranto e na perplexidade pelos primeiros discípulos, perturbados com a morte ignominiosa de Jesus. Enquanto o Verbo está em silêncio, enquanto a Vida está no túmulo, aqueles que tinham esperança dele são postos duramente à prova, sentem-se órfãos, talvez até órfãos de Deus”, explicou Francisco, na catequese que dedicou esta semana ao Tríduo Pascal 2021.

O Papa evocou o papel da Virgem Maria neste dia de silêncio, como símbolo da dor de toda a Igreja pela morte de Jesus e a expectativa na ressurreição – simbolizada na ‘Pietà’.

“Este sábado é também o dia de Maria: também ela o vive em lágrimas, mas o seu coração está cheio de fé, cheio de esperança, cheio de amor. A Mãe seguiu o Filho pelo caminho doloroso e permaneceu ao pé da cruz, com a sua alma trespassada”, indicou.

Na hora mais obscura do mundo, ela tornou-se Mãe dos crentes, Mãe da Igreja e sinal de esperança. O seu testemunho e a sua intercessão sustentam-nos quando o peso da cruz se torna excessivo para cada um de nós”.

Ao final da tarde, as comunidades católicas celebram ritos da Vigília Pascal, com o canto do Aleluia que tinha sido suspenso desde o início da Quaresma.

“Aquele que foi crucificado ressuscitou! Todas as questões e incertezas, hesitações e receios foram dissipados por esta revelação. O Ressuscitado dá-nos a certeza de que o bem triunfa sempre sobre o mal, que a vida vence sempre a morte”, diz o Papa Francisco.

Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo, por fim, a liturgia Eucarística.

Normalmente, a vigília começa com um ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus (parte que é omitida este ano por causa da pandemia covid-19); o círio pascal é abençoado, antes de o presidente da celebração inscrever a primeira e a última letra do alfabeto grego (alfa e ómega), e inserir cinco grãos de incenso, em memória das cinco chagas da crucifixão de Cristo.

A inscrição das letras e do ano no círio são acompanhadas pela recitação da fórmula em latim ‘Christus heri et hodie, Principium et Finis, Alpha et Omega. Ipsius sunt tempora et sæcula. Ipsi gloria et imperium per universa æternitatis sæcula’ (Cristo ontem e hoje, princípio e fim, alfa e ómega. Dele são os tempos e os séculos. A Ele a glória e o poder por todos os séculos, eternamente).

A liturgia da Palavra propõe sete leituras do Antigo Testamento, que recordam “as maravilhas de Deus na história da salvação” e duas do Novo Testamento: o anúncio da Ressurreição segundo os três Evangelhos sinópticos (Marcos, Mateus e Lucas), e a leitura apostólica sobre o Batismo cristão.

A liturgia batismal é parte integrante da celebração, pelo que mesmo quando não há qualquer Batismo, se faz a bênção da fonte batismal e a renovação das promessas.

Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a bênção da água, a aspersão de toda a assembleia com a água benta e a oração universal.

OC

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