Padre Vasco Gonçalves antecipa procissão que assinala 50.º aniversário

Foto: Lusa

Viana do Castelo, 18 ago 2018 (Ecclesia) – A procissão ao mar que os pescadores de Viana do Castelo organizam, com a imagem da Senhora d’Agonia nos barcos até ao seu local de trabalho, é há 50 anos um marco das festividades centrais da cidade.

“Eles lidam com eles (os santos) como se fossem pessoas da família, de casa, da intimidade. Como se trouxessem à terra e conversassem com eles. São estes gestos e expressões que devemos valorizar”, refere à Agência ECCLESIA o padre Vasco Gonçalves, pároco da igreja da Senhora d’Agonia, sobre a devoção que os pescadores de Viana têm.

As festas, que decorrem em Viana do Castelo até segunda-feira, nasceram da devoção dos pescadores que do mar avistavam em terra a igreja da Senhora d’Agonia, a quem pediam proteção.

Como momentos altos dos dias de festa acontecem as procissões à cidade, onde a imagem da Senhora d’Agonia, acompanhada de outros andores, percorre as ruas de Viana, e a procissão ao mar, que assinala 50 anos.

A primeira de todas as procissões ao mar foi com a imagem peregrina de Nossa Senhora em 1962, por ocasião de uma visita. Anos depois, em 1968, decidiram levar a imagem de Nossa Senhora d’Agonia, a 20 de agosto, ao mar, ritual que se manteve até aos dias de hoje”.

As ruas da cidade são enfeitadas para a ocasião e neste ano os tapetes de sal e flores vão fazer recordar os primeiros tempos da tradição.

A procissão à cidade, marcada para a tarde de domingo, tem início com a oração das vésperas e estende-se, depois, por toda a cidade Viana, com a participação de vários andores, este ano com a imagem de Santa Maria Maior e o Senhor do Aflitos.

“Cada andor é feito com o coração e a alma, com muito brio, para oferecer ao céu”, explica o padre Vasco Gonçalves, numa ocasião que serve assiduamente para pagar uma promessa.

Foto: Lusa

Ao longo do percurso, constata-se o envolvimento de muitas pessoas, nomeadamente dos que integram o Apostolado do Mar, que se vestem de varinas e pescadores.

Este ano, assinalando os 50 anos da primeira procissão e os 40 anos da instauração da diocese, “haverá quadros com passagens da carta pastoral do bispo de Viana do Castelo”.

Na tarde do dia 20, a procissão ao mar “ganha uma profundidade e força extraordinária” pois são os pescadores que “levam a rainha, como lhe chamam, ao seu espaço de trabalho, de perigo e angústia”.

“Os pescadores levam a imagem da Senhora d’Agonia nos seus barcos, acompanhados pelo Frei Bartolomeu dos Mártires, São Pedro, a Senhora de Monserrate também. Este ano levam também a Senhora do Minho, que percorreu as paróquias neste ano”, adianta o padre Vasco Gonçalves.

No regresso, da Senhora d’Agonia, antes de entrar na igreja, inclina-se às pessoas, que respondem com palmas e lançam ao seu regaço pequenas frases em papel ou barcos em papel onde colocam frases com preces ou graças, num momento de “comoção”.

“Um teólogo ou pensador pode considerar caricato uma imagem inclinar-se sobre as pessoas, mas no fundo é como se as pessoas quisessem que a imagem entrasse nas suas vidas, despedem-se como as pessoas se despedem umas das outras”, refere o pároco, que há pouco mais de cinco anos acompanha os pescadores na igreja da Senhora d’Agonia.

O sacerdote reconhece o contributo que o Papa Francisco tem dado para valorizar a “relação do povo com os santos e com Nossa Senhora”.

Só vivendo e experimentando é que se percebe a força desta devoção que vem do coração, essa é a força da piedade popular”.

A romaria da Senhora d’Agonia vai estar em destaque no programa Ecclesia deste domingo, na Antena 1, a partir das 06h00.

LS

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