«Ou procuramos um caminho novo ou então é o terrorismo para todos», alertou o presidente da CEP

Lisboa, 11 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa alertou para “novos nazismos” no contexto internacional e criticou a ambição de conquista do território e o descrédito de instituições de diálogo internacional.
“Veja-se o paradoxo da Rússia: o país já é o maior do mundo em superfície, mas acha que não chega. Ainda tem de ir desestabilizar e conquistar outro país. Isto é uma doidice que não dá para entender. E agora o objetivo é tirar à população os meios essenciais para viver. Não foi isso a Segunda Guerra Mundial? Cidades bombardeadas com aviões programados destruir populações inteiras? O mundo quis sair desse belicismo e encontrar caminhos de diálogo, para resolver os problemas e criou-se a ONU”, recorda D. José Ornelas em entrevista à Agência ECCLESIA.
“Estes senhores, para terem mão livre, não querem nem instituições internacionais, não querem instituições de diálogo. As instituições são aquilo que eu dito que serão, acho que eles não fizeram o suficiente e, portanto, vamos destruí-los a todos. Isto não é um discurso de gente. Ouvimos isto na Segunda Guerra Mundial, de sistemas que não têm nada de recomendável. Ou procuramos um caminho novo, um caminho de entendimento, ou então é o terrorismo e a repressão para todos. São novos nazismos”, acrescentou.
Sobre o conflito no Médio Oriente, o presidente da CEP denuncia “terrorismo” de vários países e extremismo: “Quando se bombrdeiam as escolas, quando se bombardeiam os meios essenciais de vida, e quando se faz disso uma ameaça, e uma ameaça concretizada, não vai dar certo”.

O responsável adverte para um modo de “ditadura” que não contribui para a construção da paz e lamenta o impedimento que o patriarca de Jerusalém em celebrar a missa de Domingo de Ramos na Basílica do Santo Sepulcro.
“Há anos que aqueles que mais procuraram o sentido da paz, tantas vezes foram cilindrados. O que aconteceu também com o Patriarca de Jerusalém nestes dias foi a ditadura a funcionar ao mais alto nível. Isto não são modos de construir a paz”, lamenta.
D. José Ornelas pede “vozes que se lembrem de semear paz, de semear a possibilidade de um outro caminho, que não seja das armas”.
“Com as armas, todos perdemos, exceto os fabricantes delas. Mas também esses acabam por cair”, reconhece.
No final de dois mandatos à frente da CEP, D. José Ornelas analisa, em entrevista à Agência ECCLESIA, os principais temas que marcaram os anos de 2020 a 2026, no panorama nacional e mundial; a entrevista será emitida no programa 70X7, com emissão na RTP2, e publicada na íntegra no portal de informação.
PR/LS
