Comunidade do Cacém, no Patriarcado de Lisboa, recebeu terceiro refugiado antes da pandemia

Refeição na Comunidade da Consolata – Cacém

Lisboa, 20 jun 2020 (Ecclesia) – Os Missionários da Consolata acolheram na sua comunidade do Cacé, Patriarcado de Lisboa, um terceiro jovem refugiado da Nigéria, fazendo do tempo de confinamento uma partilha de culturas, ideias e de “experiências de fé”.

“A nossa experiência continua, temos agora a alegria de ter a presença do Bright, somos uma comunidade enriquecida porque o caminho do dia a dia é enriquecimento contínuo, a troca acontece na convivência diária, uma tarefa partilhada, uma refeição juntos, uma troca de ideias e um esforço de compreendermos mutuamente nas diferenças culturais, costumes e até experiências de fé”, explica o padre Ermanno Savarino à Agência ECCLESIA. 

O responsável pelo Centro Missionário Padre Paulino precisa que o acolhimento do jovem Bright, de 25 anos, foi diferente: já o tinham visitado em Évora, onde chegou ao centro do Serviço Jesuíta aos Refugiados, e passados uns dias iniciou-se o confinamento.

Padre Ermanno, Bright, padre Norberto

“Desde que chegou a Lisboa saiu para a visitar uma vez, já está adaptado à comunidade, ele tem experiência profissional, é soldador e nos dias que está aqui tem ajudado já a recuperar portas que precisavam”, conta o sacerdote.

Além da integração do jovem, a pandemia trouxe à comunidade missionária outro desafio na dimensão da fé mas também na convivência de todos, em confinamento.

“O momento de pandemia foi vivido também na dimensão de fé, partilhamos os momentos organizados pela comunidade, também os propostos pela Igreja, e tentamos ter momentos de oração inter-religiosa, já que o Salim e Ismael são muçulmanos e o Bright é pentecostal”, refere o religioso.

O missionário da Consolata lembrou em particular a Quinta-feira Santa, “quando durante a celebração da Ceia do Senhor lavamos os pés ao Ismael ao Bright e ao marido de um casal italiano ali hospedado, devido à quarentena”, um sinal de como o acolhimento se tornou uma “marca evangélica da comunidade”. 

O padre Ermanno Savarino observa que “cada membro da comunidade consegue doar alguma coisa aos outros” e tem sido uma experiência de riqueza, desde a aulas de português aos momentos de formação em informática, não esquecendo a cozinha e o futebol. 

“A nossa cozinheira adoeceu e isso foi transformado num momento de partilha que, em cada jantar, um membro da comunidade tomava a responsabilidade de confecionar a refeição, sendo uma experiência de paladares à volta da mesa, outra novidade que a pandemia trouxe foram os jogos de futebol que antes não tínhamos na nossa quinta, a comunidade organizou-se, quase todos participam para haver jogos ao fim da tarde”, descreve.

Salim e Ismael viram os seus cursos profissionais parados devido à pandemia, mas esperam dias melhores, sentindo-se “muito felizes” naquela casa.

“Temos muito que agradecer aos missionários da Consolata, somos tão diferentes, nós muçulmanos, eles católicos, de continentes diferentes, mas aceitam-nos como nós somos, e durante este tempo aprendemos muito e muitas palavras com eles, porque em casa é que falamos, estudar não chega. Esta pandemia deu-nos a possibilidade também de aprender a informática, com o colega seminarista Carlos”, conta Ismael. 

“Agradecemos tudo o que temos aprendido aqui, todos os que nos ajudam, penso sempre pela positiva porque acredito que tudo vai acabar e estar aqui é bom, comunicamos, estamos muito felizes e agradecemos aquele dia em que os encontrámos, são pessoas simples, pessoas boas”, diz Salim.

Para o responsável da comunidade, o padre Ermanno Savarino, é necessária esperança para olhar o futuro e tenta passar isso também “aos rapazes”.

“Queremos sair da pandemia para uma situação renovada, que este parar para pensar e ter de dar espaço ao essencial, seja recolocar o essencial; a esperança com os rapazes é que prossigam a integração, que comuniquem com todos, para depois ganharem a sua autonomia”, conclui. 

O número de pessoas forçadas a fugir das suas casas, em todo o mundo, devido a conflitos, perseguições e outras violências atingiu em 2019 os 79,5 milhões, revelou a ONU.

SN

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