Experiência espera mostrar «grandeza evangélica do acolher» na comunidade do Cacém

Lisboa, 27 jun 2019 – A comunidade do Centro Missionário Padre Paulino, dos Missionários da Consolata, em Lisboa, acolheu, esta terça-feira, dois jovens refugiados, de 19 anos, numa experiência de “abertura aos outros”.

Dois sacerdotes, um irmão e quatro seminaristas compõem a comunidade apostólica formativa da Consolata, no Cacém, que há cerca de dois meses se colocou à disposição para acolher refugiados, numa atitude de “abertura aos outros”.

“Em parceria com a JRS – Serviço Jesuíta aos Refugiados – propusemo-nos a receber dois refugiados, porque era uma realidade atual e nossa preocupação”, explica padre Ermanno Savarino, em declarações à Agência ECCLESIA. 

O missionário da Consolata acrescentou que a notícia da chegada de dois refugiados à comunidade foi recebida “com entusiasmo”, acrescentando que querem “alimentar a simplicidade e a grandeza evangélica do acolher”, “cuidar e acompanhar”.

Os jovens refugiados que foram acolhidos na comunidade da Consolata do Cacém, ambos de 19 anos, vêm do Sudão, de onde saíram há cerca de um ano, “tendo-se conhecido nesta longa viagem”.

“São dois homens que falam só árabe, que se mostraram muito educados e desejosos de aprender”, revela o missionário. 

A língua pode, por agora ser o maior entrave, mas todos querem experimentar comunicar com eles, através da “linguagem do dia a dia, do olhar, do sorriso e do acolhimento”.

O sacerdote italiano adiantou ainda que os dois jovens “não se sentiam acolhidos há muito tempo”, são de religião muçulmana, o que para a comunidade católica se torna um desafio.

“É um desafio interessante, uma comunidade religiosa que espera que, por um lado, serem inseridos nesta comunidade desperte neles o sentido o mais profundo da vida e incentive a aprofundar a dimensão da fé; por outro lado, espero que o nosso acolhimento possa mostrar com obras aquilo a que nos propusemos”, disse.

O padre Ermanno Savarino aponta que o futuro destes jovens passará por “aprenderem a língua portuguesa e depois descobrir o que querem fazer, qual o seu sonho e que possibilidades terão neste país”. 

A previsão é que os dois jovens possam estar na comunidade durante 18 meses, ficando autónomos, e que esta “experiência os possa também marcar”.

“Também a comunidade do Cacém, e os leigos missionários da Consolata, se têm envolvidos para que nada falte a estes dois jovens. A caridade é assim, nós demos o primeiro passo e depois todos se juntam para ajudar”, concluiu o sacerdote.

SN/PR 

 

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