José Luís Nunes Martins

Sem amor é muito mais fácil ter uma vida tranquila, sem grandes altos nem baixos. Tudo no mundo se torna tão relativo quanto equivalente, pelo que as escolhas são feitas de forma muito racional e, mesmo quando algo não corre conforme o planeado, não se sente perda ou frustração, apenas um sinal de ter de escolher um outro caminho. Os dias sucedem-se como degraus de uma longa escadaria.

Amando a vida é uma tempestade. Por vezes, parece destruir todo o mal e criar espaço e tempo para uma vida nova. Outras, destrói os nossos projetos e muito do que já havíamos construído. A cada dia somos chamados a arriscar tudo, porque só assim conseguiremos ganhar o que queremos, sendo que podemos sempre perder tudo. Não há dias iguais. A vida apresenta-se como um longo caminho que passa por montes e vales. Por jardins resplandecentes e por poços de trevas.

Quem ama pode perder tudo e, por vezes, perde-o mesmo. Ainda que não saiba se o poderá reaver depois.

Quem não ama não perde nada, porque nada fez seu.

Amar parece uma fraqueza, mas é uma força! O amor faz-nos abrir ao outro, revelando as nossas mais íntimas fragilidades. Ao outro cabe amar-nos e proteger-nos ou não nos amar e aplicar as suas forças atacando-nos nos nossos pontos fracos.

Quem ama dá-se. Não se perde.

Quem não ama não sai do seu eu, do seu egoísmo. O seu mundo é ele mesmo. Só.

Quem ama sonha, sorri e admira, mesmo nos dias maus. Por mais que dê do que é e do que tem, será sempre rico!

Quem não ama não vive. Sobrevive e toda a sua grandeza é só aparente. É vazio. Por mais que ganhe, explore e poupe, será sempre pobre.

Se não ser amado é triste, não amar é a própria infelicidade!

Queres encher o teu coração de céu? Deixa que o amor te esvazie de ti mesmo. Dá-te. Haverá então espaço para que a luz brilhe dentro de ti, para os outros e para ti.

 

Partilhar:
Share