D. António Marto alertou para o «pecado», o «arrependimento e perdão» apelando à oração, jejum e partilha

Leiria, 08 mar 2019 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima alertou para a “força destruidora do pecado e a força sanadora do arrependimento e do perdão”, aspetos “esquecidos ou descuidados”, na celebração das Cinzas marcada pela subida ao Santuário de Nossa Senhora da Encarnação.

“É espiritualmente gratificante subir o monte como penitente juntamente com todos os irmãos presentes”, afirmou D. António Marto que há seis anos preside a esta Quarta-feira de Cinzas da Paróquia de Leiria.

Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, o cardeal português destacou dois aspetos de “premente atualidade” que são “facilmente esquecidos ou descuidados”, e que o Papa Francisco também refere na sua mensagem quaresmal: “A força destruidora do pecado e a força sanadora do arrependimento e do perdão”.

D. António Marto realçou que “basta abrir a televisão” para ver a “onda crescente de violência” a todos os níveis, como a violência doméstica, com “números alarmantes”, os escândalos dos abusos de crianças na própria Igreja e “o cancro da corrupção”.

Neste contexto, explicou que o tempo da Quaresma é para “tomar consciência da profundidade do pecado”, ao qual não podem “fechar os olhos e passar ao lado”.

“O pecado deixa estragos, deixa feridas no coração e na alma de cada um, nas relações interpessoais, na própria Igreja e na sociedade”, alertou.

O bispo de Leiria-Fátima salientou duas interpelações da Liturgia da Palavra do primeiro dia da Quaresma, o apelo à conversão e à reconciliação “com Deus”.

“Este é um tempo de graça que Deus nos oferece, mas é Ele que faz o diagnóstico do nosso coração”, explicou, depois de incentivar os presentes a viver a Quaresma nas duas perspetivas e a não “reduzi-la a um conjunto de práticas”.

Na homilia, o cardeal português chamou de “remédios ou medicinas” às orientações práticas de oração, jejum e partilha recomendadas para os 40 dias da Quaresma, período que prepara a festa da Páscoa.

Contudo, D. António Marto alertou que o jejum está “na moda do ponto de vista estético e dietético”, mas é preciso “jejum espiritual”, quem “não se deixa levar pelo consumismo desenfreado”, o “jejum das redes sociais” que deixa as pessoas “mais disponíveis para Deus e para os outros”.

A renúncia quaresmal dos diocesanos de Leiria-Fátima é este ano para ajudar a construir a Casa Betânia, um lar para idosos na ilha do Príncipe, na Diocese de São Tomé e Príncipe.

“Vivemos num mundo em que nada se faz sem se avaliar o que se vai ganhar ou vai perder; Vivemos tanto de aparências”, referiu o bispo diocesano às quase duas centenas de pessoas que subiram ao monte do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação para o ritual da imposição das cinzas.

O mais recente número da ‘REDE’, a revista digital de Leiria-Fátima, contextualiza que o D. António Marto e os peregrinos encontraram-se no início da escadaria do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação para subir ao monte em caminhada penitencial, e contaram com reflexões dinamizadas pelo Serviço Diocesano de Pastoral do Ensino Superior.

CB

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