Economista olha o tempo da pandemia como “ocasião de discernimento” que reforçou a “solidariedade entre gerações diferentes”

 

Lisboa, 20 ago 2020 (Ecclesia) – António Bagão Félix acaba de publicar o livro “Um dia haverá” onde considera que o tempo de pandemia reforçou a “solidariedade entre gerações diferentes” e deseja que as “netas contem aos seus filhos e netos”.

“A pandemia reforçou o valor da família e a importância da solidariedade entre diferentes gerações, fez questionar o que é ser feliz ou estar feliz em determinados momentos, que são coisas bem diferentes; e perceber que o caminho da vida não é de facilidades, mas obstáculos e alentos, e da ideia da esperança, até do ponto de vista como um cristão como eu”, define o autor à Agência ECCLESIA. 

António Bagão Félix fala deste tempo novo como “ocasião de discernimento, amargura, desgosto e medos” mas também de “sobriedade para perceber o que é essencial e mera circunstância”.

Em conversa no programa ECCLESIA de hoje, na RTP 2, o economista recorda um episódio recente.

“Perguntaram-me: “Um dia haverá”, se tivesse de acrescentar uma palavra o que responderia? Hesitei uns segundos mas encontrei resposta, que está implícita na dedicatória, respondi um dia haverá Deus”, recordou.

O antigo ministro espera que as suas “netas contem mais do que acreditar em Deus, que seja contar que Deus acredita em nós”.

Em mais de 300 páginas o livro aborda tema como uma economia mais humanizada, as imperativas questões de natureza ética, o futuro da instituição da família, a apreciação da velhice e o desafio da demografia.

“A economia de mercado está a ser subvertida pela ideia de sociedade de mercado, onde todos temos um preço, por exemplo a velhice, dantes era dignidade agora é um custo… Eu apelo para uma economia mais humana, porque hoje temos novos perigos, outros avisos, e nisso a pandemia foi interessante para refletir”, refere. 

Outra área que a obra aborda é a botânica, onde se sente livre, e em algumas páginas Bagão Félix compara os últimos Papas a árvores, seja Papa João XXIII a uma tília e Papa Francisco a um jacarandá.

“Faz-me uma confusão brutal que se despreze, dizime, altere a lógica do mundo botânico porque a ela, em grande parte, devemos a nossa existência, do ponto de vista do ecossistema planetário; nesta situação insólita que estamos a viver parece que houve um desabrochar da natureza e a mostrar que aquele não era o caminho”, aponta.

PR/SN

 

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