Publicações: «Nossa Senhora nunca está parada, é verdadeiramente uma peregrina» – D. Nuno Brás

Novo livro do bispo do Funchal apresenta «acompanhamento constante» de Maria, a Jesus e aos cristãos

Foto: Editora Princípia

Lisboa, 28 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal apresentou o seu novo livro, intitulado ‘Maria, Peregrina de Esperança’, que é “uma breve meditação sobre Nossa Senhora e sobre o percurso que os Evangelhos apresentam”, esta quarta-feira, dia 27 de maio, em Lisboa.

“É muito interessante porque Nossa Senhora nunca está parada, é verdadeiramente uma peregrina. Está sempre de um lado para o outro, onde era necessário que estivesse: ela está em Nazaré, mas depois está em Belém, depois está em Jerusalém, depois vai para o Egito, e, mesmo depois, já com Jesus adulto está sempre a mudar de sítio”, disse D. Nuno Brás, em declarações à Agência ECCLESIA, na Basílica da Estrela.

O autor de ‘Maria, Peregrina de Esperança’ acrescenta que “isso corresponde a uma atitude interior” de Nossa Senhora que “vai descobrindo aos poucos o plano que Deus tem para ela”, sempre nessa disponibilidade “mesmo quando tem a tentação de ficar de fora”, como a dizer, ‘bom, eu já fiz a minha parte, agora esta tentação’.

“Que corresponde depois também às tentações de Jesus. E, mesmo aí, Nossa Senhora é aquela que está sempre disponível, logo a seguir, vemo-la em Caná com Jesus, e a acompanhar Jesus, e aí para Cafarnaum, e São João tem a cuidado de dizer que não ficou em Cafarnaum muitos dias, mas foram para outros lugares”, segundo D. Nuno Brás, corresponde também ao “acompanhamento que Nossa Senhora faz dos cristãos”.

Neste sentido, realça que é muito interessante ver Nossa Senhora, “segundo a tradição da Senhora do Pilar, em Espanha, a animar Santiago a evangelizar a Península”, logo passados uns anos, ou na Mongólia, “onde aparece uma imagem no meio do lixo”, que foi reconhecida como uma imagem de Nossa Senhora, país “onde os cristãos, os católicos, são poucas dezenas”.

Mongólia: Procissão com a imagem de Maria encontrada num depósito de lixo

O Papa Francisco visitou a Mongólia em setembro de 2023, e reuniu-se, num iurt, com a mulher budista que encontrou uma imagem de Nossa Senhora no lixo, o cardeal Giorgio  Marengo, prefeito apostólico, confiou-lhe a Igreja na Mongólia.

A comunidade católica neste país foi apresentada pela Santa Sé como a “mais jovem” do mundo, com cerca de 1500 membros, representando 0,04% da população mongol.

D. Nuno Brás, no livro ‘Maria, Peregrina de Esperança’, faz esse percurso de Nossa Senhora por diferentes lugares, onde emerge como a medianeira, a protetora, por exemplo, quando a Sagrada Família foi para o Egito, “claramente, Nossa Senhora protetora dos migrantes, daqueles que procuram refúgio, nos anos 60”,

“É interessante também como o Egito, que era tido na Sagrada Escritura sempre como lugar do pecado, lugar das trevas, de onde o povo de Israel saiu, agora se torna também terra santa, lugar da Sagrada Família. Creio que é muito interessante”, desenvolveu.

O bispo do Funchal acrescentou que esta é uma leitura que foi surgindo aos poucos, “que se foi impondo esta perspetiva de Nossa Senhora como a mãe do discípulo e, do discípulo nas suas várias situações”.

A partir da reflexão apresentada, o autor destaca a marca mariana da ‘peregrina de esperança’, presente no título, “uma peregrina não pelo acaso, não por vaguear sem sentido, simplesmente por gostar de estar em sítios diferentes”, mas uma peregrina com esperança e que “ensina também a esperança”.

Segundo D. Nuno Brás, este livro surgiu dos convites para a presidir à peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Wiltz, no Luxemburgo, em 2025, no Ano Santo (jubileu) Peregrinos de Esperança, e de um grupo de homens de Lisboa, os ‘Nómadas’, que pediu para escrever “uma oração sobre Nossa Senhora” para eles rezarem.

“Nómadas, Nossa Senhora, Nossa Senhora nómada também, ao longo dos Evangelhos, e foi essa oração que me conduziu, que me orientou na preparação para as pregações da peregrinação e depois na redação do livro, obviamente”, explicou.

Com a chancela da Lucerna, a nova publicação do bispo do Funchal foi apresentada na sua diocese, no dia 14 de maio, na igreja do Colégio; em Lisboa, na Basílica da Estrela, a apresentação, pelo padre Duarte da Cunha, realizou-se após a Eucaristia das 19h00.

PR/CB/OC

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