Espaço museológico no Centro Bíblico dos Capuchinhos quer ser polo de evangelização e uma «demonstração cultural» de diferentes povos que «sensibiliza» as pessoas e as leva às fontes

Frei Lopes Morgado, Agência Ecclesia/HM

Fátima, 04 jan 2020 (Ecclesia) – O espaço «Evangelho da Vida», dos Franciscanos Capuchinhos, em Fátima, apresenta a partir de hoje cerca de 1300 presépios, e pretende ser um novo polo de evangelização e cultura da congregação.

“O presépio é a demonstração cultural de cada povo e também o respeito de cada povo. Desde os materiais, em ferro, pau-preto, ouro, marfim. Toda a natureza incultura no criador e, depois, os povos criam ao seu jeito”, explica à Agência ECCLESIA o Frei Capuchinho Lopes Morgado, mentor do projeto que ao longo dos anos foi colecionando cerca de 1300 presépios de diferentes origens e criados com diversos materiais.

“O presépio é, tal como uma criança que nasce: as pessoas derretem-se e ficam na expetativa. Uma referência ao presépio leva as pessoas a visitar as fontes. Este local não é para um visitante apressado”, indica o religioso, referindo-se ao espaço que apresenta presépios dos cinco continentes.

O espaço, agora inaugurado, vem “enriquecer o centro bíblico” dos Capuchinhos, destaca o Frei Fernando Alberto Cabecinhas, superior provincial dos Capuchinhos em Portugal.

“Sonhamos poder, com este espaço, enriquecer o centro bíblico, por si já um centro de evangelização; (trata-se de) um anúncio da palavra de Deus para os que podem visitar o espaço, agora enriquecido com esta coleção de presépios, que tem muito de arte, artesãos de grande nome, num aspeto cultural de diversas proveniências”, indica.

A coleção está organizada em cinco polos, e convida a percorrer distintos espaços, estando um especialmente dedicado aos presépios portugueses, a gruta, que, acredita o religioso, “será o espaço para exposições temáticas ou temporárias”.

No percurso, o visitante é levado através das «Fontes», «Promessa», «Cumprimento» e «Anúncio», sendo o quinto espaço dedicado a «São Francisco e ao seu presépio».

O Frei Lopes Morgado apresenta um “percurso interno” que convida a levar “a Bíblia para a vida”, adiantando ter já agendamentos de escolas e grupos de catequese para visitas.

“Em qualquer situação da sua vida que as leve (as pessoas) a lembrar o que aqui visitaram no espaço museológico”, sugere o frei capuchinho.

Agência Ecclesia/HM

Detentor de uma vasta coleção de presépios, o religioso recorda que cada exemplar que recebeu foi sendo colocado “num espaço comum dos frades” na casa da comunidade e, só posteriormente, recolhido para um local apropriado.

“Toda a vida tive um presépio no meu lugar de trabalho”, recorda.

A imagem de simplicidade não deixa de tocar quem aprecia a arte mas também a representação, fazendo do presépio um “veículo de uma mensagem que toca o coração”, sugere o provincial em Portugal.

“Tudo o que toca as pessoas no seu íntimo e na sua sensibilidade, assim representada com criatividade, sem perder o mistério por detrás, é sempre algo que pode ser muito importante na transmissão de uma mensagem. As palavras são importantes mas uma mensagem visualizada toca o coração, sensibiliza uma pessoa”, reconhece o Frei Fernando Cabecinhas.

O responsável destaca estar em curso uma iniciativa denominada «Amigos do Presépio», um grupo vocacionado para manter o espaço e potenciar “a sua linha evangelizadora”.

“Queremos propor que à volta da coleção se crie um grupo de amigos que possam sustentar economicamente o projeto mas que possam, também, ajudar na reflexão do mistério da encarnação, de refletir no compromisso e, no futuro, ser guias nas visitas a estes presépios”, sugere.

HM/LS

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