Pe. Octávio Sobrinho, Diocese de Bragança Miranda

Nos últimos tempos muito se tem falado sobre a Igreja Católica, padres, seminários e seminaristas

E ainda bem…é querer fazer parte da solução pese embora nem sempre se usarem os melhores métodos informativos. Mas é sempre bom “abanar” as águas, como diria o cego da piscina de Siloé

A igreja começou com Jesus Cristo que a fundou sobre a rocha inabalável dos Apóstolos “Cum Petro et sub Petro”. Diz S. Paulo: “Temos a Deus por cabeça” (Sermão 25)

Não é pois uma invenção humana, muito menos de uma qualquer criatura

Não pode pois andar ao sabor das correntes do mundo mas tem que permanecer sempre fiel a Cristo, morto e Ressuscitado, recordação de Deus, Deus feito homem, embora esteja situada no tempo, no espaço, na história, que são sempre variáveis importantes

A igreja caminha e faz-se caminhando…

Daí a visão poliédrica que hoje temos da Igreja, diferente da explicação piramidal que antes se ensinava.

Quanto aos Seminários como “casas de formação” nem sempre existiram como estruturas, mas sofreram, como tudo e todos, a dialéctica da vida e dos tempos.

Eu próprio fiz parte da Equipa Formadora do Seminário Diocesano na primeira década de 70 e, pela segunda vez na segunda década de 80.

A pedagogia usada não foi sempre a mesma, volvidos tão somente pouco mais de quinze anos

Não sei se foi melhor se foi pior. Apenas sei que foi a possível no “tempo”.

A pessoa foi a mesma, os tempos foram outros.

O importante é estudar e rezar bem a realidade circundante e transforma-la depois na óptica de Jesus Cristo.

A isto chamava S. João XXIII “aggiornamento”.

Mas voltando às “casas de formação”, não tenho dúvidas, que os “seminaristas-padres” de hoje têm de crescer o mais profundamente possível nas ciências teológicas e humanas, mas também possuírem uma bagagem espiritual fortemente contemplativa.

A contemplação não é exclusiva dos mosteiros

Já Teresa de Jesus falava da acção contemplativa ou da contemplação da acção

Os mestres espirituais de hoje ensinam-nos que vivemos sempre de acordo com o que contemplamos. Seremos iguais ao que contemplamos.

Contemplar a Cristo na Eucaristia, na Cruz, e reconhecê-lo depois nos pobres e sofredores deste mundo, parece-me ser a receita para tantas teorias hodiernas!

Recordo sempre com admiração o meu Reitor do Seminário Diocesano que fazia longas horas contemplativas no coro alto da Igreja, adorando, contemplando o Deus invisível e presente no Sacrário.

Foi uma imagem que nunca esqueci

E sempre que vejo aquele coro alto, lembro-me sempre do velho Reitor adorante e contemplante.

Gosto muito do Salmo 127 que diz: “Se o Senhor não edificar a casa em vão trabalham os que a constroem”.

Padres com o “Cheiro do Sacrário” precisam-se…

Seminaristas com o “Cheiro do Sacrário” precisam-se…

O “cheiro das ovelhas” uma expressão tão feliz do Papa Francisco, vem de seguida, como que por osmose.

O povo reconhece ao longe o “seminarista-padre” que faz da vida uma eterna contemplação

Não precisa de apresentações nem de exibir os certificados académicos.

Basta que seja ele.

 

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