Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens em 2018 recordou centralidade do tema, sublinha secretário da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios 

Lisboa, 06 mai 2019 (Ecclesia) – O secretário da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM), da Igreja Católica em Portugal, afirmou que “a grande novidade” do Sínodo dos Bispos dedicado à juventude foi colocar o tema das vocações nas “preocupações quotidianas de toda a Igreja”.

“Este não é um problema só dos bispos que precisam de sacerdotes ou religiosos para as obras que a Igreja desenvolve. É uma questão que deve envolver toda a Igreja”, disse o padre José Alfredo da Costa, no contexto da Semana de Oração pelas Vocações 2019, que decorre até domingo em Portugal.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o reitor do Seminário Maior da Diocese do Porto explicou que uma vocação “não se concretiza” sem o passo prévio da “identidade cristã e batismal estar afirmado”, ninguém consegue dar “um passo de forma livre, autêntica e responsável” para assumir uma vocação que seja para a vida inteira.

O secretário da CEVM salienta que a pastoral vocacional “não é um problema das pequenas comunidades” mas um desafio de toda a Igreja, e o Papa Francisco “ao chamar a si essa responsabilidade” coloca-o “no coração da vida da Igreja”, como aconteceu ao convocar a assembleia sinodal sobre ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’, que se realizou em outubro de 2018.

A 56.ª Semana de Oração pelas Vocações, que começou este domingo, tem como tema ‘A coragem de arriscar pela promessa de Deus’, e o Papa “desafia que doação não seja num tempo, provisória”, mas “para a vida toda”.

Segundo o padre José Alfredo da Costa, a questão vocacional é colocada desde cedo nas comunidades cristãs, desde que um adolescente, um jovem, começa “a despertar para o mundo e a vida da Igreja”.

O grande desafio da vocação cristã à vida consagrada é confiar e entregar a vida toda e de uma forma completa, inteira; Há uma estrutura humana e antropológica para alguém confiar a sua vida a uma missão, a um trabalho, uma comunidade”.

Para o entrevistado, não se pode olhar para a questão das vocações “apenas nos números” porque cada vocação “é uma história pessoal, cada indivíduo com o mistério de Deus, do mundo, da cultura em que vive”, destacando que “não são muitas vocações, ou poucas, são as que Deus suporta e chama”.

As famílias têm um papel importante na vocação dos filhos e o reitor do Seminário Maior do Porto considera que esse tema “merecia ser estudado a partir de casos concretos”, uma vez que, por experiência, têm vários casos de pessoas “que se ordenam sacerdotes e são filhos únicos, quase 50%”, contrariando o que se diz, muitas vezes.

Já as vocações adultas desafiam a este setor pastoral a estar atentos à “leitura da história e, efetivamente, descobrir como dom e riqueza” o facto de, às vezes, um jovem chegar à idade adulta para “resolver a questão vocacional”.

Na Diocese do Porto, conta o reitor, têm tido várias pessoas que vão do mundo profissional para o seminário e “acrescentam qualidade à vida comunitária que de outro modo seria mais difícil”, alguém mais velho “introduz essa qualidade da relação humana importante para a própria comunidade amadureça mais rapidamente”.

Até ao próximo domingo, a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios propõe um guião com diversas iniciativas de oração, a mensagem do Papa, um hino, com videoclipe, momentos culturais, ações de formação e visita.

HM/CB

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