Portugal/Sínodo: CEP lança novo caderno, com reflexão sobre «polarizações» e exercício da autoridade

Terceiro volume da série «Caminhos de Comunhão» tem como tema «Igreja hierárquica e Igreja sinodal: tensão ou complementaridade»

Lisboa, 30 abr 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) publicou hoje um novo documento de orientação pastoral que visa superar “falsas dicotomias” e “polarizações” entre a dimensão hierárquica e a vivência sinodal na Igreja Católica.

“Num contexto marcado por leituras frequentemente polarizadas, o caderno afirma que Igreja hierárquica e Igreja sinodal não são realidades opostas, mas dimensões complementares da mesma Igreja. A autoridade é entendida como serviço à comunhão e à missão, e a participação dos fiéis como corresponsabilidade vivida de forma diferenciada”, refere a nota de apresentação do terceiro caderno da série ‘Caminhos de Comunhão’, enviada à Agência ECCLESIA.

O texto, intitulado ‘Igreja hierárquica e Igreja sinodal: tensão ou complementaridade?’, insere-se no processo de implementação do Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024), preparando as comunidades católicas em Portugal para a Assembleia Eclesial de 2028.

A introdução ao novo caderno constata que a vida eclesial e cultural contemporânea é frequentemente marcada por “leituras simplificadoras ou polarizadas” e recusa liminarmente a ideia de que a hierarquia e o povo de Deus sejam “duas realidades opostas” ou “blocos em competição”.

Para a CEP, é urgente purificar a linguagem e as atitudes nas paróquias e dioceses, apontando o dedo tanto a desvios de “clericalismo” como a posturas de “anti-hierarquia”, “passividade laical” ou de “contestação sistemática”.

O texto apela à superação de bloqueios como o “medo da participação”, a “resistência à autoridade legítima” e a “instrumentalização dos conselhos”.

“A questão central não consiste em escolher entre a autoridade e a participação, entre os pastores e os fiéis, entre a comunhão e a estrutura”, clarifica o documento, sublinhando que a autoridade não pode ser compreendida “a partir dos modelos de dominação do mundo” ou de “concentração de poder”, devendo antes ser exercida como um serviço evangélico à comunhão.

No plano prático, o episcopado português exige uma qualificação dos organismos de participação comunitária.

A CEP alerta que os conselhos pastorais não podem ser reduzidos a instrumentos de “mera gestão, ratificação ou pressão”, exigindo que funcionem como instâncias com “identidade e missão claras”, onde exista “escuta real” e discernimento.

O objetivo é que os fiéis se sintam “verdadeiramente escutados, respeitados e envolvidos”, assegurando que a consulta dos leigos não seja meramente formal, mas também evitando que a autoridade dos pastores “se torne hesitante, vaga ou diluída”.

A reflexão estruturada pela Equipa Sinodal da CEP apoia-se no magistério pontifício, destacando um apelo direto do Papa Leão XIV.

O caderno cita o discurso de encerramento do consistório extraordinário de janeiro de 2026, no qual o pontífice exigiu uma profunda “formação para uma espiritualidade da escuta”, transversal a colaboradores leigos, sacerdotes e bispos.

Na sequência da publicação do documento final do Sínodo 2021-2024, no pontificado de Francisco, foi convocada uma inédita Assembleia Eclesial, para 2028.

Até dezembro de 2026, estão previstos percursos de implementação nas Igrejas locais e nos seus agrupamentos; no primeiro semestre de 2027 devem acontecer assembleias de avaliação nas dioceses, a que se seguem, no segundo semestre, assembleias de avaliação nas Conferências Episcopais nacionais e internacionais.

Para o primeiro quadrimestre de 2028 vão ser marcadas assembleias continentais de avaliação.

OC

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