«Era um Papa que podia ser um avô, muito carinhoso, ao mesmo tempo a deixar-nos mensagens fortes»

Lisboa, 05 jan 2022 (Ecclesia) – Pedro Rocha e Melo, da Diocese de Lisboa, esteve na organização da iniciativa ‘Eu Acredito’ e recorda a criação deste movimento de jovens que se constituiu para acompanhar a visita do Papa Bento XVI a Portugal, em 2010.

“Sentimos o privilégio de receber um Papa no nosso país e, ao mesmo tempo, um sentido de missão por acompanharmos algumas visitas recentes que ele estava a ter e sentimos que podíamos ter um contributo ou passar uma mensagem”, disse em entrevista à Agência ECCLESIA, recordando o “período difícil da Igreja e particularmente para ele” que se vivia.

A primeira e única viagem apostólica de Bento XVI a Portugal realizarou-se de 11 a 14 de maio de 2010; a visita do Papa começou em Lisboa, passou pelo Santuário de Fátima e terminou no Porto.

“Para mim o maior sinal de todos é a expressão do Papa a rir, muita gente dizia sempre que era meio falso, meio teatral, e vimos o Papa passar no meio da multidão várias vezes a sorrir. A olhar para as pessoas, coisas que estávamos mais habituados a ouvir falar em João Paulo II”, recordou Pedro Rocha e Melo.

O entrevistado destaca a “proximidade com o Papa” e conta que também teve a “experiência pessoal de sentir” que Bento XVI “olhou” para si.

Para Pedro Rocha e Melo, que esteve na génese da iniciativa ‘Eu Acredito’, que congregou os jovens de vários movimentos, grupos e paróquias, Bento XVI “podia ser um avô, muito carinhoso”, ao mesmo tempo, que deixava “mensagens fortes”,

Com as t-shirts azuis ‘Eu acredito’, em Lisboa, os jovens fizeram-se ver e ouvir, 11 mil, na Missa no Terreiro do Paço, e depois na Nunciatura Apostólica, onde o Papa ficou hospedado.

“A nunciatura foi um momento icónico, conseguimos incluir isso na proposta e acho que foi uma das coisas que marcou a passagem de Bento XVI cá. Foi o povo português, neste caso, a chegar-se à frente, a dar um sinal, e um Papa conhecido talvez por ser mais cerebral, mais recatado, a reagir a isso”, acrescenta Pedro Rocha e Melo.

Bento XVI apareceu à janela, “quando não era previsível”, para agradecer esta presença, “tem um discurso muito afável”, e acaba a referir que era tempo de o deixarem dormir.

Foto «Eu Acredito» (arquivo, 2011)

Em 2011, um “grupo grande” da iniciativa ‘Eu acredito’ teve a oportunidade de ir ao Vaticano e três jovens, onde se inclui Pedro Rocha e Melo, estiveram com Bento XVI para agradecer a visita a Portugal e entregar um álbum com fotografias e mensagens, bem como uma das t-shirts azuis.

“Vemos estas pessoas que têm missões muito particulares no mundo e ele viveu anos muito difíceis e toda a gente sentia isso, e sentir esse avô ternurento que sorri e não está demasiado amargurado, ou não transmite esse sentimento de injustiça, que algum de nós poderia sentir, a mim marcou-me muito”, desenvolveu.

Pedro Rocha e Melo contextualizou que a história do ‘Eu Acredito’ “é engraçada” e “é espontânea”, foi o juntar de várias pessoas, “uma grande parte jovens mas não só”, que foi muito fácil, tiveram desafios, e ficou a mensagem “de união da Igreja toda, de união em torno do Papa”.

Esta segunda-feira, o Comité Organizador Diocesano de Lisboa para a JMJ 2023 realizou uma vigília de oração por Bento XVI, que faleceu aos 95 anos no último sábado, e convidou os jovens do patriarcado a vestirem a t-shirt azul desta iniciativa, que também se mobilizou para receber o Papa Francisco, em Fátima, em 2017.

HM/CB

 

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