Instituição católica destaca necessidade de maior ação pastoral nas cadeias

Porto, 29 set 2020 (Ecclesia) – A Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (O.V.A.R) quer “sensibilizar” para a “humanização do sistema prisional” e está em contacto com diferentes grupos parlamentares na Assembleia da República, com esse objetivo.

“Que as prisões deixem de ser ignoradas pela esmagadora maioria da nossa opinião pública. Temos de fazer com que as prisões sejam instituições humanas, para que no horizonte possamos fazer como no passado com a abolição da escravatura e da pena de morte, temos de pensar na abolição das prisões”, explicou o presidente da O.V.A.R, esta segunda-feira, em declarações à Agência ECCLESIA.

Manuel Almeida dos Santos explicou que a instituição católica está a manter contacto com “diferentes grupos parlamentares na Assembleia da República” com o objetivo de “sensibilizar” para a “humanização do sistema prisional”.

A Pastoral Penitenciária de Portugal, um departamento da Conferência Episcopal Portuguesa, promoveu este sábado a sua quinta peregrinação nacional, este ano limitada às prisões e nas comunidades cristãs, intitulada ‘Peregrinação ao Interior’, tendo preparado um guião com a oração do terço, Eucaristia ou celebração da Palavra e uma Oração Comum.

“Na continuidade que temos a dar a esta peregrinação vamos tentar continuar a fazer aquilo que é uma frase conhecida que não há vivência cristã nas prisões deixe de ser a realidade”, disse Manuel Almeida dos Santos que se uniu à peregrinação no Estabelecimento Prisional masculino de Santa Cruz do Bispo (Porto).

Neste contexto, o entrevistado explica que a Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos vai tentar “introduzir uma dinâmica” que envolva reclusos, guardas prisionais, funcionários dos estabelecimentos prisionais, nos “ideais do perdão e da misericórdia, tão falado mas tão ausentes quando se fala do mundo prisional”.

O presidente da O.V.A.R refere  que no Estabelecimento Prisional masculino de Santa Cruz do Bispo introduziram a temática da ‘Peregrinação Interior’ na oração dos fiéis da Missa e os reclusos que participaram, 25 pessoas, “tiveram ocasião de interiorizar” o que a associação também preparou para além das propostas da Pastoral Penitenciária de Portugal.

“Uma parte central do nosso trabalho é o contacto direto e próximo respondendo aquilo que são as suas necessidades, não só de natureza espiritual, como material, ligações à família. A parte central é tentar com que a nossa ação seja especificamente útil aos reclusos, numa vida plena e global não só centrada sobre um dos aspetos”, realçou.

Os visitadores da obra especial do Conselho Central do Porto da Sociedade de S. Vicente de Paulo (Vicentinos) mantêm “uma relação estreita com vários reclusos, criam-se relações de amizade”, que foi interrompida com o confinamento originado pela pandemia Covid-19 e “em muitos casos ainda não foi retomada”.

Manuel Almeida dos Santos observa que a “retoma” das visitas aos estabelecimentos prisionais “é muito débil” e alerta que não foi só com os visitadores, mas “também com a família dos reclusos” que “só têm possibilidade de estar com eles uma vez por semana, meia hora, e nos dias úteis”, “uma limitação muito grande”.

A Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos – Sociedade de S. Vicente de Paulo celebrou 50 anos de atividade, a 27 de novembro de 2019, ano em que recebeu o prémio ‘Terra Justa-Causas e Valores da Humanidade’, da Câmara Municipal de Fafe; a Assembleia da República distinguiu-a com o prémio ‘Direitos Humanos’ de 2018.

CB/OC

Esta manhã, o bispo do Porto, D. Manuel Linda, afirmou que se está “a falhar no âmbito prisional”, alertando para a “percentagem de detidos” e os tempos das penas, numa mensagem publicada na sua conta na rede social ‘Twitter’.

https://twitter.com/BispodoPorto/status/1310861524391600128

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