Eugénia Quaresma e padre Rui Pedro destacam trabalho realizado junto de quem partiu e de quem chegou ao país, nas últimas décadas

Lisboa, 27 jun 2022 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) afirmou que a criação deste organismo, há 60 anos, mostrou a preocupação de “acompanhar pastoralmente” quem deixou o país, por parte do episcopado.

“Primeiro foi uma preocupação dos bispos no acompanhamento daqueles que partiam para a diáspora e que não perdessem a fé”, referiu à Agência ECCLESIA Eugénia Quaresma.

A OCPM celebra 60 anos de existência a 1 de julho, dia em que vai realizar, no Seminário de Alfragide (Patriarcado de Lisboa), uma jornada de reflexão sobre o tema ‘Juntos, construímos um «nós» maior: Uma só família humana’.

A iniciativa conta com a participação do padre Fabio Baggio, subsecretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé); Juan Ambrosio, professor da Universidade Católica Portuguesa, vai fazer uma reflexão sobre as mensagens para os dias mundiais dos migrantes e refugiado de 2014 a 2022.

Na jornada de reflexão haverá também uma mesa-redonda sobre a temática ‘Sementes de futuro – que interpelações Sociais e Políticas?’.

A instituição da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) tem como objetivo acompanhar portugueses que partem para a emigração e imigrantes que procuram Portugal para trabalhar, além de promover a mobilidade como condição humana.

A diretora da OCPM sublinha que, ao longo das últimas décadas, “foi muito importante” a existência de locais onde se falava a língua portuguesa, “conviver e celebrar a fé”.

Os emigrantes “não esquecem” a história e querem que os filhos “não percam a fé e a língua portuguesa”, sublinhou Eugénia Quaresma, em entrevista emitida esta segunda-feira no Programa ECCLESIA (RTP2).

A Missão Católica Portuguesa do Luxemburgo celebrou recentemente 50 anos de existência e o padre Rui Pedro, da Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos) testemunha que aquele espaço serve para “integrar os emigrantes” nas várias vertentes da sua vida.

O sacerdote, diretor da OCPM de 2000 a 2007, recorda que nesse período a atenção estava “mais centrada na imigração”.

“Portugal acolheu, nessa altura, grandes fluxos de imigrantes do leste europeu que transformaram o panorama religioso com uma nova diversidade religiosa”, afirmou o missionário scalabriniano.

O mosaico populacional alterou-se “com novas problemáticas a nível do trabalho e integração”, acentuou.

Atualmente, os agentes pastorais nas comunidades da diáspora também fazem outros serviços e prestam “apoio aos migrantes”, indicou o padre Rui Pedro.

LFS/PR/OC

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