Associações falam em riscos para a saúde psíquica e efeitos que podem ser «dramáticos», sobretudo entre os mais jovens

Lisboa, 09 jun 2021 (Ecclesia) – A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) e a Associação dos Juristas Católicos (AJC) lançaram um comunicado conjunto para manifestar a sua oposição à legalização da venda de canábis para fins recreativos, em discussão no Parlamento.

“Cada vez se conhecem melhor os malefícios pessoais e sociais decorrentes do consumo de canábis; esse consumo está associado a alterações estruturais e funcionais no sistema nervoso central, com consequências nefastas para a saúde psíquica e com riscos aumentados em casos de consumo prolongado ou desde idade precoce”, destaca o texto, enviado à Agência ECCLESIA.

A Assembleia da República debate projetos de lei do Bloco de Esquerda (BE) e da Iniciativa Liberal (IL) para legalização da canábis para consumo pessoal, um agendamento potestativo dos bloquistas, que já viram uma proposta rejeitada pelos deputados, em 2019.

Médicos e Juristas católicos sustentam que “não há drogas boas e drogas más”.

“É importante contrariar a ideia errada de que o consumo das drogas ditas leves, não causa dano para a saúde. A canábis é uma substância aditiva com efeitos deletérios que podem ser dramáticos, principalmente junto dos mais jovens”, realça o comunicado conjunto.

As associações entendem que uma eventual legalização viria “contribuir para o incremento desse consumo”, deixando um sinal que “de indiferença ou desvalorização quanto aos danos” associados ao mesmo.

“É incompreensível para a sociedade o sinal contraditório da facilitação do uso de canábis perante a imposição de restrições crescentes ao consumo de tabaco”, acrescenta o texto.

AMCP e AJC consideram insuficiente a intenção de impor obrigações de informação sobre os danos e perigos associados ao consumo de canábis como “condição de autorização para a respetiva venda”.

O comunicado conjunto fala em atitudes de “contradição, ou até hipocrisia”, apontando o dedo à intenção de “financiar a prevenção e tratamento” da toxicodependência com impostos resultantes da venda de drogas.

“Será contraditório continuar a punir severamente o tráfico clandestino de canábis e autorizar a venda condicionada desse produto, quando são muito semelhantes os perigos para a saúde pública decorrentes de uma e outra dessas atividades; o Estado perderá, assim, autoridade moral para continuar a punir esse tráfico”, pode ler-se.

As associações profissionais católicas citam ainda intervenções dos Papas João Paulo II e Francisco, sublinhando a sua oposição “a qualquer tipo de droga”.

O BE e a IL requereram hoje a baixa à comissão, sem votação, dos projetos de lei sobre a legalização da canábis para consumo pessoal.

Na votação que decorreu no final do plenário, ambos os requerimentos para baixa à comissão competente, sem votação, “por um período de 60 dias”, dos projetos de lei do BE e IL foram aprovados por unanimidade pelos deputados, informa a Lusa.

OC

Notícia atualizada às 17h50

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