Colóquio antecipou «Congresso Internacional da Bíblia», no âmbito do futuro Museu Internacional do Livro Sagrado

Foto Agência ECCLESIA/PR

Gouveia, 01 jul 2021 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa salientou hoje que em “pontos basilares de cultura e civilização” se manifestam “alguns traços bíblicos essenciais”, falando no colóquio de preparação do ‘Congresso Internacional da Bíblia’, em Gouveia.

“O calendário é pontuado pelo Natal, a Páscoa e as celebrações locais de padroeiros, mesmo que as datas sofram reinterpretações profanas. Designamos os dias da semana em relação ao primeiro deles, é uma especialidade portuguesa, e desde o século VI pelo menos, o domingo, inovação tipicamente cristã”, exemplificou D. Manuel Clemente, na sessão transmitida online.

O cardeal-patriarca de Lisboa destacou também o uso, “com sentido genérico”, de palavras que provêm diretamente da Bíblia como “criação, redenção, ressurreição, ascensão, celebração, consagração”, e muitos nomes próprios têm origem bíblica, “com prevalência para Maria”.

“Os quadros metais são tocados pela referência bíblica: Para o regresso a casa, no sentido mais alargado do termo, lembramos o filho prodigo, para o cuidado dos outros recordamos o bom samaritano, para o desenvolvimento das qualidades próprias falamos de talentos”, desenvolveu.

“São casos típicos de um culto que gerou cultura e alguma tensão entre o sentido que tinham e a memória que se dilui quando aquilo deixa de ser tão genuíno. Nada de irrecuperável ainda que em novos termos”, acrescentou.

Segundo D. Manuel Clemente, quando Portugal se vai transformando atualmente “em terra comum de uma centena de povos residentes”, de vários continentes e variadas tradições culturais e religiosas, pode verificar-se “com maior clareza a presença ou ausência da referência bíblica”.

“Existem atualmente em Portugal povos que nunca tiveram nenhuma iniciação bíblica nem evangélica”, realçou.

A intervenção enquadrou a apresentação dos seis volumes ‘A Bíblia em Portugal: 25 séculos de traduções e modelações’, de frei Herculano Alves, Franciscano Capuchinho.

“Dos textos editados ou por editar dos autores nacionais e estrangeiros, dos respetivos enquadramentos histórico ou culturais, da oratória às expressões plásticas dos temas bíblicos, de tudo encontramos informação preciosa nestes volumes. Podemos afirmar que sobre esta temática tão central há um antes e um depois do seu trabalho, que se torna assim num marco incontornável da cultura portuguesa”, disse o cardeal-patriarca de Lisboa.

Cada um dos seis volumes sobre ‘A Bíblia em Portugal’ foi apresentado por um orador, e o investigador em ciências bíblicas, frei Herculano Alves, explicou o trabalho surgiu com o 4.º livro, dedicado ao primeiro tradutor da Bíblia em Portugal, para a sua tese de doutoramento, e foi descobrindo “a beleza da Bíblia, a importância daquela Bíblia e a importância da Bíblia em Portugal”.

O presidente do Conselho Pontifício para a Cultura da Santa Sé, cardeal Gianfranco Ravasi, apresentou a reflexão a ‘Bíblia, um código para compreender a cultural ocidental’, numa intervenção online.

Durante a sessão inaugurada a exposição filatélica “’A Bíblia na Arte Postal’ dos países do mundo”, e obliterado o selo comemorativo dos ‘1600 Anos do Nascimento de São Jerónimo, primeiro tradutor da Bíblia para Latim, a famosa e influente Vulgata’, com uma fotografia da igreja paroquial de Ribamondego e um pormenor da imagem de São Jerónimo.

O colóquio antecipa o ‘Congresso Internacional da Bíblia’, que foi adiado para 2022 por causa da pandemia Covid-19, que é uma das iniciativas realizadas no contexto do futuro Museu Internacional do Livro Sagrado de Gouveia.

CB/OC

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