António José Seguro tomou posse, na Assembleia da República

Lisboa, 09 mar 2026 (Ecclesia) – O presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), José Ribeiro e Castro, afirmou que o legado de Marcelo Rebelo de Sousa fica marcado pela “afetividade” desejando que o novo chefe de Estado seja um fator de estabilidade política.
“Isso [a afetividade] granjeou ao presidente uma grande empatia, uma grande proximidade com os cidadãos comuns, esse é um lastre que fica do seu mandato”, sublinhou José Ribeiro e Castro, em entrevista ao Programa ECCLESIA.
Ao fazer o balanço de uma década de mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa, o entrevistado destacou a inovação na relação com os países da CPLP e o papel na realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, que classificou como o momento “mais histórico” dos seus dois mandatos.
“Ainda hoje as pessoas se lembram desse acontecimento notável na vida portuguesa e da simpatia transbordante do Papa Francisco”, recordou o presidente da SHIP, notando que Marcelo foi um católico que “nunca escondeu” a sua fé no espaço público, mantendo a tradição diplomática de proximidade com a Santa Sé.
A análise incluiu também uma nota crítica ao que chamou de “poder editor” exercido pelo chefe de Estado cessante, no comentário da atualidade, considerando que “a palavra do presidente, às vezes, se banalizou e outras vezes correu riscos desastrados”.
Sobre o início do mandato de António José Seguro, o presidente da SHIP aponta a fragmentação partidária como o “desafio maior”, desejando uma magistratura de influência atenta à viabilidade dos governos.
“O presidente António José Seguro tem essa preocupação de estabilidade. Acho que dali não virá nenhum problema, não vai para a Presidência para fazer jogos, para fazer conspirações, pelo contrário, é um democrata, respeita o resultado das eleições”, antecipou.
Num contexto internacional marcado pelos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, Ribeiro e Castro manifestou preocupação com as posições do novo presidente quanto ao investimento na Defesa.
“Nós precisamos de gastar mais em Defesa, não só nós, mas os países da União Europeia”, advertiu, evocando o princípio latino “si vis pacem, para bellum” (se queres a paz, prepara a guerra).
“Esse esforço tem de ser acompanhado também pelo presidente da República, no meu entender. Não pode contribuir para a formação da ideia errada de que nós estamos mais seguros porque não temos Defesa”, acrescentou.
Ribeiro e Castro espera ainda que Seguro dê continuidade ao projeto dos “900 anos de Portugal” (iniciado em 2025) e que mantenha o rigor no equilíbrio das contas públicas, sendo “mais prudente” e “mais contido” na palavra do que o seu antecessor.
“Um país que faz 900 anos tem um tesouro, um capital extraordinário que temos de valorizar”, conclui o antigo líder centrista, numa entrevista que é emitida hoje pelas 15h00, na RTP2.
António José Seguro prestou hoje juramento sobre a Constituição da República Portuguesa, perante o parlamento, na sessão solene de tomada de posse.
No seu primeiro discurso, o novo presidente da República sustentou que, “na melhor visão de Portugal todos contam, e cada um tem um papel a desempenhar”.
“É urgente recuperarmos o sentido de comunidade e restaurarmos o nosso chão comum, que nos permite viver em harmonia uns com os outros, onde cada geração acrescente a qualidade de vida à geração dos seus pais”, apelou.
PR/OC
