Monumento com estátua em bronze de 2 metros e 20 foi inaugurado na data em que o bispo completaria 70 anos

Foto: Estátua de D. António Francisco dos Santos em Tendais (Cinfães)
Créditos: Agência ECCLESIA/PR

Cinfães, 30 ago 2018 (Ecclesia) – A “vida e missão” de D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto que faleceu em setembro de 2017, está simbolicamente perpetuada num monumento que foi inaugurado e benzido esta quarta-feira, em Tendais (Cinfães), na Diocese de Lamego.

“É um testemunho importante para as gerações que vierem e vão ter oportunidade de conhecer um homem de corpo inteiro, de alma inteira”, afirmou o bispo de Lamego.

Em declarações aos jornalistas, D. António Couto pensa que o monumento “não seria muito do agrado do Sr. D. António” que não era homem destas coisas mas “mais como os passarinhos, poisava ai em qualquer lado”.

Contudo, realça que as pessoas ao terem acesso à figura e às quatro frases, uma de cada diocese onde trabalhou – Lamego, Braga, Aveiro e Porto – vão ter de perguntar “quem é este bispo, quem é este homem e vão chegar mais ao coração de D. António Francisco dos Santos”.

Uma estátua em bronze, com dois metros e 20 de altura, no topo de quatro patamares que evocam as referidas dioceses, é o monumento que foi inaugurado e benzido esta quarta-feira na Paróquia de Santa Cristina de Tendais, a terra natal do bispo que faleceu a 11 de setembro de 2017, aos 69 anos, na Casa Episcopal da Diocese do Porto, devido a uma complicação cardíaca.

O escultor Hélder de Carvalho lembra que esteve com o bispo português apenas duas vezes e aproveitou a circunstância para ler sobre a sua vida e “o papel que foi desempenhando ao longo de uma vida” que gostariam “que tivesse sido mais longa”.

“Discutiu-se muito a questão do sorriso, sendo muitas vezes rasgado, achei por bem deixar um sorriso leve, independentemente do sorriso era uma pessoa ponderada, que naturalmente para lá do sorriso transparecia aquela serenidade e aquela calma”, desenvolve o artista, acrescentando que “os traços e a fisionomia” não lhe “eram estranhos”.

Hélder de Carvalho adianta também que se teve em atenção aspetos ligados ao posicionamento da escultura, a localização onde ia ficar e o espaço disponível.

Neste contexto, D. António Francisco dos Santos está representado “numa situação de quem benze quem o contemplar”, com o sorriso leve onde existe “o pormenor da mão direita numa cruz”.

“Chegou-se à conclusão que podia ser aquela cruz com que esteve no último dia que veio a Tendais. É um pormenor mas ajudou a representar, espero que condignamente, a figura do nosso D. António”, acrescentou o escultor.

O padre Adriano Pereira, Pároco de Tendais, acrescenta que no aspeto pastoral o bispo “desenvolvia toda uma ação em que procurava que as pessoas se envolvessem e se sentissem acolhidas”.

Foto: Placas evocativas do percurso pastoral de D. António Francisco dos Santos Créditos: Padre Hermínio Lopes

Para o sacerdote, o monumento na terra natal de D. António Francisco dos Santos evoca “a sua vida e a sua missão” e faz com que se continue sensibilizado e desperto para “o testemunho que ele deixou”.

“Com a frase dita em cada uma das dioceses vamos ao encontro deste pensamento e riqueza de vida. O próprio monumento em subida, patamares, com uma mão na cruz e outra a levantar-nos para mais alto: ‘Vamos lá, vamos em frente, continuamos a caminhar juntos’”, desenvolveu.

“O testemunho dele é que soube dizer Deus e passar Deus de uma forma direta, rápida, incisiva ao encontro das pessoas, sobretudo dos mais pobres e dos desvalidos”, observou o bispo de Lamego.

O Papa São João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Braga, a 21 de dezembro de 2004, e a ordenação episcopal aconteceu a 19 de março de 2005, na Sé lamecense.

O arcebispo de Braga revela que quando pensa em D. António Francisco dos Santos “a palavra mais espontânea que surge é a do amigo”, era fácil estabelecer amizade.

“Ele não só era o amigo como tinha grande capacidade de fazer amigos, isso é que sempre me impressionou sempre. Verificava que a sua passagem pelas paróquias, nas visitas pastorais, era um deixar ficar alguma coisa com esta capacidade grande de criar amigos”, recordou D. Jorge Ortiga aos jornalistas.

Já o agora Papa emérito Bento XVI escolheu-o como bispo de Aveiro, em setembro de 2006, e tomou posse da diocese a 8 de dezembro.

O seu sucessor, D. António Moiteiro, realça que em Aveiro, onde passou metade do episcopado, “deixou uma marca de proximidade, clarividência, amizade muito grande no povo de Deus e, “hoje, continua a ser recordado com muito carinho”.

Depois, D. António Francisco dos Santos subiu na geografia do país, e foi para a diocese vizinha quando o Papa Francisco o nomeou bispo do Porto em fevereiro de 2014, tendo tomado posse a 5 de abril desse ano.

D. Manuel Linda, o seu sucessor na diocese nortenha, também esteve esta quarta-feira em Tendais e explicou que a sessão era de alguma maneira aquilo que pregam “e às vezes não dá conta”, ou seja, “o que fica é o bem”.

“O bem fica numa memória gravado de forma indelével”, sublinhou, comentando que como legado ficou do seu antecessor ficou a “obrigação de continuar fiel a uma sensibilidade humana, “a uma relação que se baseia não no poder, na autoridade mas na conquista dos corações”.

“Era um homem de uma inteligência ingénua, no sentido melhor da palavra, a inteligência das crianças, intuitiva, não é tanto uma inteligência dedutiva e analítica mas é aquela que chega lá muito antes de mim através do raciocínio”, realçou D. António Couto.

Amândio Fontes, da Comissão de Honra para a edificação do monumento e empresário na Diocese do Porto, revelou que no início “não se pensava num monumento tão grande mas as ideias foram crescendo” e conseguiram “fazer um projeto digno de D. António”.

Antes da inauguração e bênção da estátua, o bispo lamecense presidiu à Eucaristia que foi concelebrada por vários sacerdotes e prelados: Bispo emérito de Lamego D. Jacinto Botelho, D. Nuno Almeida (Braga); D. António Taipa, D. Pio Alves e D. António Augusto Azevedo (Porto); D. Francisco Senra Coelho, arcebispo nomeado de Évora, e D. António Luciano de Viseu.

Amigos, familiares, fiéis das quatro dioceses também marcaram presença juntamente com vários autarcas, autoridades civis e desportivas, como o presidente do F.C. do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.

O ‘monumento de ação de graças pela vida e missão de D. António Francisco dos Santos’ teve o apoio financeiro da Irmandade dos Clérigos, da Associação Comercial do Porto, da Santa Casa da Misericórdia do Porto e da Câmara Municipal de Cinfães e da Junta de Freguesia de Tendais.

CB

Homilia de D. António Couto na celebração de homenagem a D. António Francisco dos Santos

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