Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos é um dos exemplos dessa presença e acompanhamento

Lisboa, 24 jun 2021 (Ecclesia) – O diretor-executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) disse que “os problemas dos ciganos são mais do que muitos”, considerando que têm de ser “os protagonistas” da mudança, com o apoio da Igreja Católica.

“A palavra-chave é serem eles os protagonistas e porta-vozes da sua própria evolução, a solução dos seus problemas. Os problemas dos ciganos hoje são mais do que muitos, têm sido feitos alguns progressos”, disse Francisco Monteiro, no Dia Nacional das Comunidades Ciganas.

Em declarações à Agência ECCLEIA, o diretor executivo da ONPC explicou que a Igreja parte do princípio de estar com as pessoas e os ciganos “tem problemas enormes de exclusão, de anticiganismo e discriminação”.

“Eles têm de organizar-se, evoluir em muitos aspetos, e isso é um trabalho lento, estamos diariamente com eles, ajudando, dando ideias, tentando resolver os problemas que podemos, insistindo com o Governo. São cidadãos portugueses, há mais de um século, e a Igreja tem que estar presente, tem que estar a ajudá-los”, desenvolveu.

A “luta política e social é enormíssima” e na Igreja é fundamental que tenham “as ideias arrumadas”, quando o tema são as minorias sabiam do que estão a falar e ter “coragem de falar dos ciganos”.

“Os ciganos portugueses são uma das mais pequenas minorias e têm sido muito ignorados, muito desprezados. Sistematicamente as leis são espezinhadas, como são espezinhados ainda hoje dia os ciganos nómadas no Alentejo”, alertou o diretor executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos.

O responsável católico exemplificou que os ciganos nómadas no Alentejo são “sistematicamente expulsos de terra em terra”, ao abrigo de leis “obsoletas”, com dezenas de anos, que “infringem os princípios da Constituição Portuguesa e princípios sociais da União Europeia”, sobre desalojar pessoas “sem alternativa digna”.

“A Igreja tem sido um pouco a voz de todos os problemas ao longo do tempo”, destacou.

Francisco Monteiro assinalou que hoje “há um nível de escolarização maior” na comunidade cigana, destacando que “há experiência notáveis para integrar, chamar e dialogar com os ciganos”, mas os programas “têm pouco a ver” com a sua cultura.

“Só através da edução e da formação é que se podem abrir, ter empregos e andar para a frente”, observa.

O entrevistado lembra que “o sentido de pertença à sua cultura e reconhecimento é fundamental” e é preciso da respeitar, “sem descurar” que também têm que “evoluir por si próprios para a integração, para acabar com o racismo e descriminação”.

O diretor executivo da ONPC, organismo da Comissão da Pastoral Social e Mobilidade
Humana, contextualiza que “há um problema histórico”, e os ciganos quando vieram há 500 anos para Portugal “foram bem recebidos, eram músicos, artesãos, eram pessoas interessantes”, que quiseram ser “fiéis à sua cultura” mas “nem toda a gente reconhece isso”.

“Muitas vezes serem fechados não significa que não queriam abrir-se, é uma reação a quem os excluiu durante cinco séculos”, observou.

CB/OC

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