«Não são precisas histórias extraordinárias. Precisamos de histórias pessoais», lê-se no guião missionário

Lisboa, 28 set 2021 (Ecclesia) – As Obras Missionárias Pontifícias em Portugal publicaram o Guião Missionário 2021/2022, um “itinerário de vida e de missão para as comunidades cristãs”, que convida ao testemunho concreto da fé.

“Os Evangelhos são concordes em apresentar homens e mulheres que, devido ao encontro com Jesus, receberam a graça da salvação: Foi-lhes dado uma nova vida, renovaram-se enquanto pessoas, converteram-se aos maravilhosos paradigmas de Deus”, explica D. Rui Valério, vogal da Comissão Episcopal de Missões e Nova Evangelização.

Na mensagem para a celebração do outubro missionário, o bispo das Forças Armadas e de Segurança assinala que a experiência de encontro com Jesus foi “de tal modo marcante e decisiva que a não puderam calar”, e partilharam-na.

‘Não podemos calar o que vimos e ouvimos’, passagem bíblica do livro dos Atos dos Apóstolos (Novo Testamento), que evoca o exemplo de superação das primeiras comunidades cristãs, é o tema do Guião Missionário 2021/2022, que apresenta várias propostas de reflexão, oração e celebração.

“Não são precisas histórias extraordinárias. Precisamos de histórias pessoais. Para se tornar evangelizador é importante saber, no fundo do seu ser, porque estamos ainda aqui, hoje, a confessar que somos discípulos de Jesus, o que recebemos dele”, lê-se no documento dos Institutos Missionários “Ad Gentes”, publicado pelas Obras Missionárias Pontifícias em Portugal.

O presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) começa a sua mensagem com uma história pessoal, quando chegou, a um sábado, a uma cidade numa nação “onde o cristianismo era minoritário e a religião não gozava de total liberdade” e, no dia seguinte, apresentou-se “discretamente na sacristia” da igreja, “não muito longe do hotel”, e pediu “autorização para concelebrar” na Missa.

“Eu mirava aqueles rostos expressivos e interrogava-me sobre o lugar onde eles encontravam o manancial do seu fervor apaixonado diante das adversidades que os espiavam a cada esquina”, recorda o padre Adelino Ascenso, superior-geral da Sociedade Missionária Boa Nova.

O sacerdote explica que é preciso “afinar os sentidos” e “escutar o silêncio” e aquilo que está para além desse silêncio, para se entrar “no abismo do mistério”: “Se não escutarmos com ouvidos puros, não narraremos com boca pura; se não virmos para além daquilo que se nos mostra de rompante, também as nossas palavras serão escorregadias e supérfluas”.

No contexto da edição internacional da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, em 2023, foi partilhado também o testemunho de uma voluntária, Filipa Gaspar, intitulado ‘a missão está nos olhos’.

“Os olhos do outro dizem-me muito: Pedem-me ajuda, pedem-me conforto, pedem-me que o ensine ou, simplesmente, que lhe faça companhia; De cada vez que estamos a andar na rua, de cabeça baixa, alheios ao que se passa à nossa volta, estamos a negar a missão”, desenvolve a jovem portuguesa.

O guião missionário apresenta também a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões 2021, onde Francisco propõe uma “missão de compaixão” como resposta à atual pandemia de Covid-19.

O mês outubro missionário tem origem no Dia Mundial das Missões, que se celebra no penúltimo domingo de outubro (24 de outubro, em 2021), data instituída pelo Papa Pio XI em 1926, como um “dia de oração e ofertas em favor da evangelização dos povos”.

CB/OC

Covid-19: Papa propõe «missão de compaixão» para enfrentar a pandemia

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