Beatificação de Paulina-Maria Jaricot, leiga francesa, decorre em França

Lisboa, 22 mai 2022 (Ecclesia) – O diretor das Obras Missionárias Pontifícias (OMP) em Portugal destacou o contributo para “a missão universal da Igreja” da fundadora da Obra da Propagação da Fé, Paulina-Maria Jaricot, que vai ser beatificada este domingo, em Lyon.

Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, o padre José Rebelo destaca que a leiga francesa Paulina-Maria Jaricot “dedicou a sua vida aos pobres e a apoiar as missões”.

“Disse de si que era ‘o primeiro fósforo para acender o fogo’ da missão: Um fogo que, passados 200 anos, ainda arde em todos os que, com a sua fé, oração e ajuda contribuem para a missão universal da Igreja”, desenvolveu o missionário Comboniano.

Esta manhã, após a recitação da oração do ‘Regina Coeli’, no Vaticano, o Papa destacou a figura da nova beata.

“Foi uma mulher corajosa, atenta às mudanças dos tempos, com uma visão universal da missão da Igreja. Que o seu exemplo suscite em todos o desejo de participar, com a oração e a caridade, na difusão do Evangelho no mundo”, disse Francisco, pedindo um aplauso aos peregrinos.

Paulina-Maria Jaricot morreu a 9 de janeiro de 1862, em Lyon, e o milagre que levou à sua beatificação aconteceu há 10 anos, quando Mayline, uma menina de três anos e meio de idade, foi hospitalizada, em “estado neurológico irreversível e morte iminente”, depois de se engasgar com “uma salsicha, que se lhe atravessou na traqueia”, em maio de 2012.

O padre José Rebelo recorda que quinze dias após o acidente, e depois de uma TAC onde os médicos disseram que Mayline “teria pouco tempo de vida” mas se sobrevivesse “não viria a falar ou a caminhar”, na sua escola fizeram uma novena à fundadora da Obra da Propagação da Fé.

No início de julho de 2012, Mayline foi transferida para o hospital Pediátrico de Nice, antes “recebeu a Unção dos Doentes”, e uma semana depois “voltou finalmente à vida e acaba por ter alta hospitalar em vésperas de Natal”.

O diretor das Obras Missionárias Pontifícias de Portugal contextualiza que o inquérito diocesano para a santificação da leiga francesa realizou-se de 20 de julho de 2018 a 28 de fevereiro de 2019, seguindo o processo para a Congregação para a Causa dos Santos (Santa Sé), e destaca que a Comissão Médica declarou que a cura tinha sido “rápida, perfeita e constante, assim como inexplicável de acordo com as leis da ciência”, a 19 de setembro de 2019.

Depois, a cura de Mayline foi considerada “um milagre” pelos Consultores Teológicos (17 de dezembro 2019), e pelos padres cardeais e bispos (5 de maio de 2020).

Paulina Jaricot nasceu a 22 de julho de 1799, em Lyon, e “enamorou-se ainda mais da missão” quando o seu irmão Philéas “se tornou seminarista para ir trabalhar na China”, tendo decidido dedicar-se a iniciativas de apoio ao trabalho de evangelização da Igreja depois de recuperar de um acidente aos 15 anos que afetou “gravemente o seu sistema nervoso”, e a morte da sua mãe.

Ao longo da sua vida, para além da sociedade para a Propagação da Fé, que tinha o objetivo de rezar e recolher fundos para as missões, fundou também o ‘Rosário Vivo’ e as ‘Filhas de Maria’, consagradas sem hábito religioso dedicadas ao trabalho de divulgação da fé.

CB/OC

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