Apelo surge após «vários incêndios» que «destruíram o maior campo de refugiados da Grécia», em Moria, na ilha de Lesbos

Foto Lusa

Lisboa, 09 set 2020 (Ecclesia) – O Serviço Jesuíta aos Refugiados – Portugal (JRS) e a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) apelaram hoje “à mobilização da sociedade civil portuguesa” para “acolher requerentes de asilo e refugiados” que estão nos campos gregos, na sequência dos incêndios esta madrugada.

“Cerca de 12 000 pessoas foram vítimas desta tragédia e perderam tudo o que tinham: As recordações dos seus países, familiares e amigos que tiveram de abandonar e uma tenda sem condições sanitárias”, lê-se no comunicado do JRS e a PAR enviado à Agência ECCLESIA.

Na sequência dos “vários incêndios” que “destruíram o maior campo de refugiados da Grécia”, em Moria, na ilha de Lesbos, o Serviço Jesuíta aos Refugiados – Portugal e a Plataforma de Apoio aos Refugiados lançam o “apelo à sociedade civil” para que esta se junte na missão de “acolher requerentes de asilo e refugiados que estão nos campos gregos”.

“Hoje, mais do que nunca, é urgente criarem-se as condições para honrar os compromissos internacionais”, realçam.

O JRS e a PAR lembram que o campo de refugiados em Moria “há muito que está sobrelotado” e as suas “más condições” têm sido “repetidamente denunciadas por organizações no terreno”.

“Reiteramos, uma vez mais, a necessidade de atender a esta emergência humanitária, sendo urgente devolver a dignidade retirada às pessoas antes e durante o seu processo migratório e assumir uma posição solidária no seio da União Europeia”, desenvolvem.

O Serviço Jesuíta aos Refugiados – Portugal e pela Plataforma de Apoio aos Refugiados assinalam que Portugal tem assumido, “no espaço europeu, uma posição exemplar”, disponibilizando-se para acolher voluntariamente crianças e jovens não acompanhados que se encontram nos campos gregos, no entanto, a situação nos países de fronteira europeus “torna evidente a necessidade de reativar o programa de recolocação de emergência, redistribuindo equitativamente as pessoas pelos vários estados-membros e a criação de vias legais e seguras”, como o visto humanitário, para “evitar” o recurso a redes de tráfico.

Neste contexto, o JRS e a PAR “desafiam toda a sociedade civil” a juntar-se à rede da Plataforma de Apoio aos Refugiados e à missão de “solidariamente acolher e acompanhar os refugiados e requerentes de asilo em Portugal”.

Foto Lusa

A comissária europeia do Interior, Ylva Johansson, anunciou hoje de manhã que a Comissão Europeia irá financiar a transferência e alojamento para a parte continental da Grécia dos 400 menores não acompanhados que permanecem no campo de refugiados de Moria.

“Já concordei em financiar a deslocação imediata e o alojamento no continente das 400 crianças e adolescentes desacompanhados que permanecem [no campo]. A prioridade é dar segurança e abrigo a todas as pessoas de Moria”, escreveu numa mensagem na rede social Twitter.

O Governo grego anunciou que vai declarar estado de emergência na ilha de Lesbos, na sequência do incêndio no campo de refugiados de Moria e proibiram todas as pessoas que ali viviam de deixar a ilha para evitar uma possível disseminação do novo coronavírus, disse o porta-voz do Governo, Stelios Petsas.

A Agência Lusa informa ainda que o incêndio foi detetado depois de ter sido anunciado que 35 pessoas do campo tinham obtido resultado positivo no teste para deteção da infeção da Covid-19 e que iriam ser transferidas para uma área especial de isolamento.

As autoridades de Lesbos mobilizaram uma forte força policial que bloqueou a estrada de acesso à capital da ilha, Mitilene, localizada a cerca de sete quilómetros de Moria; Esta manhã, três esquadrões da polícia de choque partiram de Atenas para reforçar as forças de segurança no local ao campo de refugiados que está em quarentena há uma semana; O primeiro caso de Covid-19 foi detetado num somali de 40 anos que já tinha o estatuto de refugiado e que, em agosto, esteve em Atenas à procura de emprego.

CB

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