Paulo Gonçalves assumiu novo mandato na presidência da instituição como uma «responsabilidade» e alertou que «a pobreza não se resume a estatísticas»

Porto, 29 out 2026 (Ecclesia) – Os novos órgãos dirigentes da Cáritas Diocesana do Porto tomaram posse no passado sábado, numa cerimónia no Paço Episcopal da cidade, e apontaram o reforço das respostas na área da saúde como uma das prioridades para os próximos anos.
O projeto Mais Saúde na Família, que visa o apoio aos membros mais frágeis, como os doentes crónicos e idosos, vai assumir uma particular relevância na intervenção da instituição, adianta o jornal ‘Voz Portucalense’.
Durante a cerimónia, Paulo Gonçalves, reconduzido na presidência da Cáritas Diocesana do Porto, destacou a colaboração da Universidade Católica Portuguesa, naquela cidade, agradecendo o envolvimento e o apoio prestados à iniciativa.
“É um exemplo de como a cooperação entre instituições pode colocar o conhecimento e as competências ao serviço daqueles que mais precisam”, expressou.
O novo mandato vai ter igualmente como prioridades o aprofundamento das parcerias institucionais, o alargamento da base de doadores e o reforço das condições necessárias para assegurar a sustentabilidade financeira da Instituição.
“A solidariedade precisa de generosidade, mas precisa igualmente de organização, competência e recursos”, destacou o presidente, defendendo uma Cáritas capaz de antecipar problemas, mobilizar vontades e desenvolver novas respostas sociais.
| Sobre a missão a que foi reconduzido, Paulo Gonçalves considerou que “assumir um novo mandato na Cáritas Diocesana do Porto é, antes de tudo, aceitar uma responsabilidade”, “perante a Igreja”, “a comunidade” e os mais frágeis.
O responsável alertou para a dimensão dos problemas sociais que persistem na sociedade portuguesa, lembrando que cerca de dois milhões de pessoas se encontram em risco de pobreza ou exclusão social, porém, advertiu, os números estão longe de traduzir toda a dimensão humana desta realidade.
“A pobreza tem números. Mas, acima de tudo, tem rostos. E nenhum desses rostos nos pode ser indiferente”, complementou o presidente da Cáritas Diocesana. Na intervenção, Paulo Gonçalves fez um balanço do mandato anterior, recordando que, nos últimos três anos, o número de atendimentos sociais aumentou cerca de 46%, refletindo o esforço da instituição para responder às necessidades crescentes das populações mais vulneráveis. Segundo o jornal diocesano do Porto, durante este período, a Cáritas acompanhou centenas de famílias, distribuiu milhares de bens essenciais e reforçou o Banco de Material Ortopédico. Com uma intervenção que abrange as 22 vigararias da Diocese do Porto, a instituição tem como objetivo aprofundar a proximidade às comunidades locais, reforçando a articulação com as paróquias e mobilizando colaboradores, voluntários e parceiros para uma intervenção social cada vez mais eficaz. “Seria um erro confundirmos o trabalho realizado com a missão cumprida. A Cáritas não existe para celebrar aquilo que fez. Existe para responder àquilo que ainda falta fazer. E falta fazer muito”, referiu o presidente da Cáritas Diocesana do Porto. |
Na parte final do discurso, Paulo Gonçalves apelou à mobilização de toda a comunidade diocesana, sublinhando que a missão da instituição ultrapassa a atividade dos seus órgãos dirigentes, colaboradores e voluntários.
“A Cáritas não é apenas uma Instituição da Igreja. É uma expressão concreta da Igreja que queremos ser. Uma Igreja próxima, atenta, acolhedora. Uma Igreja que não vira o rosto ao sofrimento e que encontra, no serviço aos mais vulneráveis, uma das expressões mais autênticas da sua missão”, afirmou.
O presidente reafirmou o compromisso coletivo da nova direção com uma intervenção assente na proximidade, na defesa da dignidade humana e no combate às desigualdades sociais.
Não prometemos resolver todos os problemas. Seria uma promessa impossível. Prometemos, isso sim, não nos resignarmos perante a injustiça, não sermos indiferentes ao sofrimento e não perdermos a capacidade de acreditar que é possível transformar vidas”, declarou.
O responsável lembrou também que “uma sociedade não se mede apenas pela riqueza que produz, pelas empresas que cria ou pelas infraestruturas que constrói”, mas, sobretudo, “pela forma como trata aqueles que têm menos”.
LJ/PR
