«Aquilo que mais me magoa é as vezes em que tenho a igreja cheia e alguém não pode entrar» – Padre Nuno Folgado

Missa Crismal na Sé de Castelo Branco. Foto: Agência ECCLESIA/HM

Portalegre, 05 abr 2021 (Ecclesia) – As comunidades católicas de Portalegre-Castelo Branco estão a corresponder ao regresso das celebrações litúrgicas, que voltaram a ter assembleia desde 15 de março, depois de um segundo confinamento, no início deste ano.

O bispo diocesano considera que “tem havido muito cuidado, muita responsabilidade”, o que tem permitido enfrentar a situação com serenidade.

D. Antonino Dias explica à Agência ECCLESIA que a pastoral “exige sempre criatividade”, considerando que isso tem acontecido, durante a pandemia, e “as comunidades permanecem unidas”.

“Estamos com esperança, atendendo às saudades que todos têm de se poder reunir e conviver, e celebrar, que vai melhorar dentro em breve”, acrescentou.

Os padres Nuno Folgado e Carlos de Almeida, da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, saudaram o regresso da assembleia das pessoas às celebrações da Missa, ainda que com limitações impostas pela pandemia, como aconteceu na Páscoa.

“Aquilo que mais me magoa são as vezes em que tenho a igreja cheia e tenho de dizer a alguém que não pode entrar. Viriam mais, se mais espaço houvesse, mas fizemos a opção de dispor o espaço da igreja retirando os bancos e pondo cadeiras à distância regulamentar”, disse o padre Nuno Folgado à Agência ECCLESIA.

O sacerdote, pároco de São Miguel da Sé, São José Operário (Castelo Branco) e Benquerenças, adianta que as pessoas “se sentem seguras” e que é por causa disso que “sempre que é possível” participam nas celebrações.

“Não noto que as pessoas por medo ainda não vêm, felizmente a maioria das pessoas voltou”, assinalou, explicando que não se tem verificado “nenhuma quebra significativa” nas Missas durante a semana, nem nas Eucaristias ao domingo.

“É sinal de que a comunidade está a fazer o trabalho bem-feito nas medidas de segurança que adota. Muitas vezes são difíceis e trazem algumas distorções à liturgia, andar alguém com desinfetante e não nos podemos mexer, mas as pessoas sentem como uma mais-valia para a sua segurança”, desenvolveu o padre Nuno Folgado.

Já o padre Carlos de Almeida, que tem quatro comunidades, destaca “uma maior participação” na celebração eucarística desde 15 de março, após o confinamento de 2021, ao contrário do que aconteceu no fim do primeiro confinamento, em maio de 2020.

Para o pároco de Alferrarede, Rio de Moinhos, Sardoal e Valhascos, esse regresso das pessoas às celebrações presenciais pode ter sido motivada “por causa da Quaresma e da Páscoa”.

O sacerdote admite que “as pessoas têm muito receio” mas realça que na celebração Missa “há segurança” com as regras de higiene e de distanciamento que estão previstas e são asseguradas pelas equipas de acolhimento que existem nas suas quatro comunidades.

O padre Nuno Folgado, que é também o diretor do Secretariado Diocesano de Pastoral, indica que na atual situação “é possível tudo”, mas a forma “muda relativamente a outras circunstâncias.

“É possível evangelizar, e é muito necessário neste momento de perdas, de dor, tristeza. Este não é um intervalo na vida das pessoas, e seja as que estão no auge da vida, aquelas que estão a começar, e se calhar sobretudo aquelas que vivem os últimos dias, precisam que respeitemos esse dias como verdadeiros”, desenvolveu.

HM/CB/OC

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