Iniciativa traz “revitalização à aldeia” e momentos de “partilha e união fraterna”

Foto: DR

Portalegre-Castelo Branco, 18 jun 2022 (Ecclesia) – Adelaide Salvado, investigadora em religiosidade popular, contou à Agência ECCLESIA que a festa de São João, em Monforte da Beira, é “um retorno às origens” e uma “revitalização da aldeia”.

“Este é um momento de retorno à aldeia e estas festividades populares são um processo de revitalização da aldeia, retorno às raízes, partilha e união fraterna”, revela Adelaide Salvado em declarações à Agência ECCLESIA.

A geógrafa e investigadora em religiosidade popular indica que a aldeia “era extremamente povoada” mas como todas as “aldeias da raia” as pessoas foram saindo e “atualmente são poucos os habitantes”.

“Uns saíram ao assalto na década de 60 ou  então depois muitos migraram para Lisboa, hoje está praticamente despovoada”, destaca.

Apesar da realidade nestes dias que antecedem o São João, a aldeia “vai ganhando outra vida” e, segundo Adelaide Salvado, a “povoação vai para o campo colher arbustos específicos da região, seja rosmaninho, alecrim, macelas e giestas”.

“Os arbustos são colocados juntos às casas e nos largos da aldeia para no dia 23 de junho a pessoa encarregada da festa, aqui designada o alferes, apanha o São João, bandeira engalanada que está numa janela, e numa montada fazem a volta à aldeia começando as festividades desse ano”, conta.

Adelaide Salvado recorda que “ao sinal dado pelo sino da igreja” inicia a marcha de São João e é lançado fogo aos arbustos recolhidos.

“Aquele momento é algo mágico, a aldeia fica envolta numa nuvem de fumos perfumados e os clarões formam um ambiente único”, indica. 

Na volta dada à aldeia a entrevistada revela ainda que, “quem tem as montadas mais ágeis, cavalos, éguas ou burros,” salta as fogueiras ao “toque do hino de São João e ao som dos adufes”.   

Já no dia 24 de junho, dia litúrgico de São João Baptista, há nova volta pela aldeia e rumam à Igreja.

“As pessoas vão para a Igreja, há missa e procissão, e no fim há um almoço que é oferecido pelo alferes, aos padrinhos e familiares, e há um traço muito importante porque toda a população contribui com alguma coisa para o almoço, seja azeite, farinha ou outro género e reforça-se esse laço comunitário que estas festividades possuem”, aponta.

A entrevista sobre as festividades de São João em Monforte da Beira, na diocese de Portalegre-Castelo Branco, integram o programa de rádio ECCLESIA deste sábado, pelas 06h00, na Antena 1 da rádio pública, ficando depois disponível online.

SN

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