No Dia mundial da Fome, organização lembra as 276 milhões de pessoas que sofrem insegurança alimentar e as 811 milhões de pessoas que «vão para a cama com o estômago vazio»

Lisboa, 28 mai 2022 (Ecclesia) – A Cáritas Internacional pede aos líderes mundiais e aos decisores políticos que invistam em programas que combatam “os diferentes fatores da fome”, “privilegiem os mais pobres e marginalizados”, promovam e implementem “estratégias de recuperação sustentável”.

“Dar prioridade a programas que apoiem holisticamente os mais pobres e marginalizados, incluindo pequenos agricultores, e incluam os direitos dos pobres em todas as discussões. Também é crucial incluir a participação significativa de produtores e consumidores locais, especialmente mulheres, que são responsáveis ​​por 60 a 80% da produção de alimentos nos países em desenvolvimento, na formulação e implementação de políticas nos níveis locais”, pede a organização internacional no Dia Mundial da Fome, que se assinala hoje, num comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

A Confederação internacional indica ser necessário “alocar mais fundos que aumentem a resiliência da comunidade a longo prazo”, de forma a “combater os diferentes fatores da fome, incluindo conflitos, degradação ambiental e sistemas de má governança”.

É também necessário “fortalecer os diálogos políticos inclusivos e a transparência sobre os fatores estruturais da fome” e “promover a adoção de práticas sustentáveis ​​no sistema alimentar”.

“Investir na transformação dos sistemas alimentares, especialmente na agroecologia, pode tornar as nações mais resilientes aos choques geopolíticos que aceleram a fome”, indica o comunicado.

A Cáritas pede ainda a implementação de estratégias de recuperação sustentável que se baseiem na abordagem dos impactos das mudanças climáticas e dos conflitos, a fim de aumentar a resiliência da cadeia de abastecimento alimentar e evitar picos de fome.

A organização de ação social da Igreja católica recorda que houve um aumento “dramático” da fome, devido à “crise climática”, também com o impacto da Covid-19, e lembra os conflitos, em particular a guerra na Ucrânia, “que está a ter consequências terríveis em todo o mundo, especialmente sobre a insegurança alimentar”.

“Em todo o mundo, cerca de 276 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, enquanto 811 milhões de pessoas ainda vão para a cama com o estômago vazio”, lamentam.

O secretário-geral da Caritas Internationalis, Aloysius John, indica a “necessidade urgente de soluções sustentáveis” mas também “vontade e determinação política” para acabar com o problema.

“Um mundo sem fome é possível desde que as pessoas sejam motivadas e incentivadas a se tornarem atores ativos na produção de alimentos”, acrescenta.

O responsável aponta “o papel central” que as comunidades locais podem desempenhar na criação de mudanças e na superação das questões relacionadas com a segurança alimentar e a fome no mundo.

LS

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