Antigo presidente da CNJP, falecido em 2016, reconhecido pelos «serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da liberdade»

Foto Cáritas Portuguesa, Presidente da República entrega as insígnias de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade à esposa do homenageado, Vera Bruto da Costa.

Lisboa, 17 out 2021 (Ecclesia) – O Presidente da República conferiu hoje, a título póstumo, a Ordem da Liberdade a Alfredo Bruto da Costa.

“Eu entrego à família, aquilo que Portugal pediu para que entregasse que é a Ordem da Liberdade. Porque uma forma de viver a profecia é viver a libertação da pobreza. Ele transformou isso num desígnio da sua vida”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia de apresentação do livro ‘«Que fizeste do teu irmão?» Um olhar de fé sobre a pobreza no mundo’.

A Ordem da Liberdade é uma ordem honorífica portuguesa, criada a 4 de outubro de 1976, que se destina a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da liberdade.

Foto: Alfredo Bruto da Costa

O Presidente da República afirmou haver gestos simbólicos: “Para Alfredo Bruto da Costa valiam de forma circunscrita. Ele prezava mais a substância das coisas do que o rito, mesmo quando o rito escondia uma substância”, considerou antes de entregar à família a condecoração, na sessão que decorreu na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, instituição em que Alfredo Bruto da Costa foi provedor.

Marcelo Rebelo de Sousa apresentou o antigo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) como “um profeta”.

“Foi um profeta com as características que o definiam: um profeta que pensava e agia. Pensava com rigor científico mas não dissociava a fé da ciência. Não havia um Alfredo Bruto da Costa homem do pensamento e de fé, e um Alfredo Bruto da Costa militante na comunidade em que se inseria. Era um só”, indicou.

Da herança apresentada pelo Presidente da República, “o homem que aqui nos junta”, continua a apontar para a “urgência da pobreza, o tema deste livro, mas também para o empenho de todos”.

“Antes da pandemia dizia-se que havia perto de 100 milhões de pobres em todo o mundo; depois 120 milhões. Antes da pandemia dizia-se que havia 2 milhões em Portugal, depois da pandemia 2 milhões e 200 mil. O primeiro grande objetivo de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas muito provavelmente já não vai ser atingido em 2030; o grande objetivo da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, aponta para saída da pobreza de 360 mil portugueses até 2030, o que significaria que, se tudo continuasse na mesma, sem fatores de crise e agravamento, estamos a falar de 50 anos para atingir os 2 milhões e 200 mil”, recordou.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que “todos são gestores de bens”, cuja “essência, origem, raiz e finalidade” ultrapassam as pessoas, e é dessa forma que se deve assumir relação com os bens, de forma “inseparável da relação com todos os outros e com o percurso da concretização de salvação na vida terrena”.

“O que Alfredo Bruto da Costa fez durante toda a vida foi reconhecer a urgência do problema dos problemas, e aplicar a essa urgência o que aplicou a toda a sua vida – a visão que tinha do mundo, da comunidade e da sociedade em geral”, valorizou.

Bruto da Costa faleceu a 11 de novembro de 2016, com 78 anos de idade; antigo ministro e presidente da CNJP, promoveu diversos estudos e investigações sobre a pobreza em Portugal, em defesa da dignidade humana e da justiça social, assumindo-se como estudioso da Doutrina Social da Igreja.

A Cáritas Portuguesa e o Fórum Abel Varzim lançaram este domingo uma obra póstuma de Alfredo Bruto da Costa, que aborda a luta contra a pobreza numa “reflexão ética”, a partir da fé cristã.

O livro foi concluído pelo autor, antes da sua morte, e revisto posteriormente.

LS

Atualizado a 18.10.2021

 

Pré-Publicação: Livro póstumo recupera voz «profética» de Alfredo Bruto da Costa

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