A Diocese de Beja, apesar da destruição, descaracterização e erosão de muito do seu Património Religioso, fruto da acção ou omissão humanas, e/ou das vicissitudes da História, é possuidora de um conjunto notável de Igrejas, entre a Espanha e o Oceano, nas suas Cidades, Vilas, Aldeias e Ermidas espalhadas pelo Alentejo profundo. Deste vastíssimo património escolhemos 3 Igrejas:

  1. Santuário de Nossa Senhora do Carmo, Moura;
  2. Basílica Real de Castro Verde;
  3. Igreja de Santa Maria da Feira, Beja.

 

1. Santuário de Nossa Senhora do Carmo, Moura

O conjunto monumental onde sobressai o Santuário de Nossa Senhora do Carmo, foi a primeira sede da Ordem dos Carmelitas na Península Ibérica, depois da sua chegada da Terra Santa. O convento foi construído no período gótico pelos cavaleiros hospitalários, em 1251.

Em 1347, D. Nuno Álvares Pereira, fronteiro mor do Alentejo, manda construir o Convento do Carmo, em Lisboa. Para este Convento vieram Religiosos do Convento de Moura, solicitados e indicados pelo próprio D. Nuno. É a partir daqui que os Carmelitas vão irradiar para todo o Portugal e ainda para o Brasil.

Quanto ao edifício, o tempo encarregou-se de apagar na pedra a lembrança do seu estilo de origem e outros gostos artísticos sobrevieram nos séculos posteriores, nomeadamente o renascentista patente no pórtico de mármore.

No interior, são dignas de nota as capelas laterais. Na primeira do lado direito, dedicada a Santa Ana, destaca-se um pórtico da Renascença e na quarta, do mesmo lado, a abóbada cruzada de nervuras é forrada por um lindo padrão de azulejos policromos. Do lado esquerdo, a primeira capela dedicada a S. Martinho tem o tecto forrado de azulejos amarelos e azuis.

O pórtico em mármore do Renascimento é encimado pelas armas do arcebispo de Braga, D. Baltasar Limpo, prelado natural de Moura, que a mandou edificar.

As Festas em honra de Nossa Senhora do Carmo são das que mais gente movimentam em todo o Alentejo. A esta devoção está também ligada uma das músicas marianas mais conhecidas em todo o País.

Está prevista para breve uma intervenção de restauro na Igreja, bem como do Convento anexo à Igreja.

 

2. Basílica Real, de Castro Verde

Erigida sobre a antiga matriz de Castro Verde, a Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição data dos inícios do século XVIII, e tem a sua existência associada ao discurso de glorificação da lenda da Batalha de Ourique, inscrita, desde há muito tempo, no imaginário português e na matriz histórica da nossa realeza.

D. João V corporizou e traduziu esse espírito no favorecimento que deu à obra; no título de Basílica Real atribuído à nova matriz e nas mais diversas encomendas régias com que enriqueceu e valorizou o seu recheio.

A escala do edifício, e a proteção da coroa à sua construção, tornaram-na uma obra grandiosa, de fachada robusta, compartimentada, com alçado dominado pela presença de duas torres sineiras, composição que contrasta com o espaço interior, elegante, de uma só nave, na qual se exibe, preenchendo as superfícies parietais, um conjunto notável de painéis Joaninos historiados de exaltação da Batalha de Ourique e um magnífico altar-mor de talha dourada, da mesma época.

A Basílica Real, depois de uma primeira intervenção nas coberturas, paredes, portas e janelas, foi beneficiada com o restauro integral da pintura mural do Coro Alto e está a iniciar-se uma intervenção de grande fôlego, que levará ao restauro da pintura do tecto.

Integrado neste imponente Templo situa-se o Tesouro da Basílica, do qual sobressai uma das obras mais icónicas da Diocese de Beja, a “Cabeça de S. Fabião”.

(Site do Município de Castro Verde)

 

3. Igreja de Santa Maria da Feira, Beja

Esta Igreja, sede de uma das 4 Paróquias da Cidade de Beja é também a Matriz da Cidade, e é possuidora de um património extraordinário, por muitos desconhecido e, neste momento, necessita de uma intervenção profunda quer no seu exterior, de grande complexidade e monumentalidade, quer no seu interior, para o qual já existe um projecto.

A construção da Igreja de Santa Maria iniciou-se no último terço do Século XIII, no local outrora ocupado por uma igreja visigótica e por uma mesquita árabe, após a doação régia à Ordem de Aviz, em 1270.

É uma Igreja de planta longitudinal, com 3 naves abobadadas à mesma altura e capela-mor no eixo da nave central, com galilé adossada à fachada principal e a torre sineira afastada do corpo da nave.

A Igreja possui Retábulos de talha de excelente qualidade técnica e artística em particular o da Capela de São Miguel Arcanjo. O Retábulo-mor em madeira encerada de linhas neo-clássicas tem de cada lado uma portada de acesso à cabeceira. Nesta são ainda visíveis as nervuras da cobertura primitiva e vestígios de pinturas murais. Este Retábulo esconde a primitiva Capela – Mor Gótica, com janelas ogivais entaipadas. Na nave, do lado do Evangelho desalientar: o altar de Jesus ou das Dores de Maria, com um retábulo em talha dourada de estilo rococó; o altar de Nossa Senhora do Rosário com retábulo de talha dourada barroco, de estilo nacional, com uma Árvore de Jessé ocupando toda a tribuna. É um dos mais belos exemplares no nosso País. De destacar ainda o altar de Nossa Senhora das Dores com retábulo em talha dourada neoclássico. Do lado da Epístola: a capela do Santíssimo Sacramento, com abóbada e paredes.

Anexa à Igreja, situa-se a Capela de Nossa Senhora do Rosário, que passou por diversas transformações ao longo da história, uma das quais foi ter sido transformada em agência bancária, num projecto de Pardal Monteiro. Hoje funciona aqui um Núcleo museológico, visitado por milhares de turistas nacionais e estrangeiros, que se maravilham com os seus 6 painéis de azulejos do Século XVIII, reproduzindo alguns dos Mistérios do Rosário.

 Comissão Diocesana de Arte Sacra, Diocese de Beja

 

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