Psicólogo considera que «vai ser um desafio» reeducar os filhos para «um nada admirável mundo novo» pós-pandemia

Lisboa, 23 jul 2020 (Ecclesia) – O psicólogo Bruno Serranito disse que as férias 2020 vão trazer “uma muito maior contenção de saídas para o exterior”, para espaço físico, por causa da pandemia Covid-19, e explicou a progressão das crianças portadoras de deficiência neste tempo.

“Estas férias vão ser de caso de estudo durante muitos anos, vão trazer novos desafios e vamos ter de perceber como cada um se dá e acho que com amor tudo se consegue”, explicou, esta quarta-feira, no encontro online ‘Férias 2020 e Pessoas Extraordinárias’.

No webinar (videoconferência com intuito educacional) promovido pelo Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência (SPPD), da Igreja Católica em Portugal, Bruno Serranito observou que as férias 2020, neste período do verão, trazem uma “muito maior contenção de saídas para o exterior” do que noutras ocasiões.

O psicólogo, que trabalha na ‘Cercidiana’ e desenvolve funções numa Equipa Local de Intervenção Precoce na Infância, assinalou que no período de férias a “disponibilidade” e “descontração” permite “alguns passos importantes no sentido de desenvolvimento” das crianças.

“Às vezes as crianças passam o ano inteiro a introjetar matéria, coisas, aprendizagens, mas não têm tempo das enquadrar dentro de um sistema de referências e, muitas vezes, é durante este período, em que se permitem estar um bocadinho mais relaxadas, um bocadinho mais descontraídas, que têm disponibilidade para colocar isso dentro de um sistema de referências que foram construindo ao longo do tempo”, desenvolveu.

Para Bruno Serranito, que também trabalha como psicólogo em duas clínicas em Évora, “vai ser um desafio” reeducar os filhos para um “nada admirável mundo novo” que, neste momento, se apresenta perante eles por causa da pandemia.

“Acredito que com amor, afeto e carinho é possível. Vai requer muito dos pais, vai requerer muito das crianças”, acrescentou o psicólogo, observando que as “rotinas são a cola das famílias”, são o que “dá sentido à organização familiar e as rotinas mudaram”.

No contexto da pandemia e do confinamento social, Bruno Serranito destacou que há pais que “têm disponibilidade para estar com os filhos, para trabalhar com os filhos”, mas há “o reverso da medalha”, que tiveram de ser pais, professores, técnicos e que “estão a acumular frustrações em cima de frustrações” e também as crianças, “muitas vezes, estão muito frustradas” e alertou ainda para os “episódios de negligência, violência”, os casos “não visíveis, que estão escondidos”.

“Há um conjunto enorme de novos desafios no pós-Covid. O Covid é muito difícil, estruturar-nos face aquilo que nos pede é muito difícil mas lidar com os problemas daqui recorrente no futuro vai ser desafiante não só para crianças mas também para pais”, assinalou.

O bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana encerrou o encontro online salientando que neste tempo de pandemia ““veio ao de cima a importância da família como reduto do bem na sociedade, e neste mundo” e, em muitas situações, “foi uma vantagem muito grande para as pessoas com deficiência”.

D. José Traquina lembrou também que a Igreja Católica neste período publicou dois novos documentos: O novo ‘Diretório para a Catequese’ do século XXI, e a catequese para as pessoas com deficiência está presente dos números 269 a 272, “há passos que estão a ser dados que são motivadores”; e a instrução “A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja” onde “pede-se uma paróquia inclusiva, evangelizadora e atenta a todos”, com o “convite à conversão das estruturas”, por exemplo.

O Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência, criado em novembro de 2010, quis “dar voz às preocupações, inquietações alegrias e experiências positivas deste tempo de confinamento que entra agora férias adentro” com a videoconferência com intuito educacional ‘Férias 2020 e Pessoas Extraordinárias’, que contou com testemunhos e diversas partilhas e intervenções.

PR/CB

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