D. Paul Gallagher lembrou efeitos da «pandemia global» e «mudança climática» no Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares

Nova Iorque, Estados Unidos da América, 29 set 2021 (Ecclesia) – O secretário do Vaticano para as relações com os Estados disse que a humanidade quer um mundo sem armas nucleares e salientou que as despesas militares absorvem recursos que poderiam ser convertidos em ajuda.

“À medida que enfrentamos uma pandemia global de natureza incerta e os efeitos da mudança climática global pioram os Estados devem reduzir seus gastos militares para atender as necessidades humanitárias e às exigências da nossa casa comum”, disse D. Paul Gallagher, esta terça-feira, na Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, informa o portal ‘Vatican News’.

No Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, o secretário do Vaticano para as relações com os Estados afirmou que existe “uma fonte de crescente desigualdade tanto dentro das nações como entre elas” com as despesas de alguns Estados no desenvolvimento e produção destes arsenais.

O responsável católico lembrou que segundo a encíclica ‘Fratelli Tutti’ do Papa Francisco, o objetivo deve ser converter os gastos militares para um fundo global para promover o desenvolvimento dos países mais pobres.

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, que comemorou e promoveu as questões da nuclearização, D. Paul Gallagher alertou que um dos fatores que contribuem para manter o “status quo” nuclear e afastar o desarmamento é a política de dissuasão ou desencorajamento.

“Que leva a uma corrida armamentista e gera uma tecnologia desumanizante que sustenta e agrava a desconfiança entre as nações”, acrescentou.

Na carta encíclica ‘Pacem in Terris’ (A paz na terra), assinada a 11 de abril de 1963, o Papa João XXIII explicou que a paz não consiste numa distribuição justa de armamentos, mas na confiança mútua.

A Santa Sé também felicitou os 122 Estados-membros que votaram para adotar o Tratado de Proibição de Armas Nucleares da ONU, que entrou em vigor em janeiro deste ano.

No dia 20 de janeiro, o Papa Francisco saudou a entrada em vigor do tratado, após a sua ratificação por mais de 50 Estados, incluindo o Vaticano, lembrando que a utilização destas armas tem um “impacto indiscriminado” porque “atinge, em pouco tempo, uma grande quantidade de pessoas, e provoca danos ambientais com uma longuíssima duração”.

Na assembleia da Nações Unidas, a Santa Sé encorajou os Estados que ainda estão relutantes a assinar este importante acordo e insistiu com os países com armas nucleares para que apoiem o esforço de desarmamento com base no Tratado de Não-Proliferação, indica ainda o ‘Vatican News’.

CB/OC

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