ONU: Santa Sé condena uso de inteligência artificial em conflitos armados

«Linguagem e a lógica da guerra reduzem as pessoas a números, inimigos ou danos colaterais», alertou representante do Vaticano

Foto: Lusa/EPA

Nova Iorque, EUA 22 mai 2026 (Ecclesia) – O representante do Vaticano nas Nações Unidas exigiu esta quinta-feira, na ONU, o respeito pelo direito humanitário, denunciando a utilização de inteligência artificial e os ataques contra civis.

“Este apelo é particularmente significativo numa época em que a linguagem e a lógica da guerra reduzem as pessoas a números, inimigos ou danos colaterais”, alertou o encarregado de negócios da Missão de Observação Permanente da Santa Sé

Monsenhor Robert D. Murphy repudiou a linguagem bélica que transforma as populações em meros “danos colaterais”.

O responsável diplomático sublinhou a necessidade de manter uma “responsabilidade ética” na aplicação de novas tecnologias no campo de batalha.

“O uso da tecnologia deve sempre ser fundamentado na responsabilidade ética, uma vez que nenhuma máquina pode substituir o julgamento moral necessário quando vidas humanas estão em jogo”, defendeu o representante do Vaticano.

A intervenção sublinhou a urgência de proteger os profissionais de saúde e lamentou a destruição do “tecido cultural” provocada pelas ofensivas militares contra locais de culto.

“Tais ações prejudicam não apenas os fiéis individualmente, mas também o tecido cultural, espiritual e social de comunidades inteiras”, observou o delegado da Santa Sé.

O debate público promovido pelo Conselho de Segurança decorreu na cidade de Nova Iorque, focando-se na proteção de populações indefesas em cenários de guerra.

A declaração oficial recuperou as palavras do Papa Leão XIV, lembrando que o princípio de humanidade exige o reconhecimento da dignidade inata de cada pessoa.

OC

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