Presença no Oriente desde 1988 marcada por «altos e baixos», num território onde os cristãos estão em minoria

Lisboa, 22 jan 2021 (Ecclesia) – O padre António Machado, missionário comboniano, que passou 25 anos em Macau, dá conta de um caminho de “altos e baixos” no encontro com uma cultura e língua “muito diferentes”.

“Não se podia fazer muito. Não somos muitos, mas em colaboração com a Igreja e outros grupos missionários, procurámos ser uma presença dos valores do evangelho, numa cultura que não conhecia ou até os desvalorizava”, explica à Agência ECCLESIA o missionário que atualmente reside na comunidade da congregação, em Viseu.

A presença comboniana foi sempre “discreta”, “sem protagonismos” e com trabalho assente no “estar com as pessoas, procurando perceber os seus sonhos”.

O primeiro grupo de missionários combonianos, onde se inseriu o padre António Machado, partiu para as Filipinas em 1988, tendo, dois anos depois, viajado para Hong-Kong para estudar chinês e, mais tarde, poder permanecer em Macau.

As dificuldades iniciais de enfrentar e aprender uma cultura e língua novas marcaram os primeiros anos: “Tinha um colega italiano que dizia que só custavam os primeiros 10 anos, o que mostra bem o que significa a expressão paciência chinesa”.

A percentagem cristã é “diminuta, rondará os cinco por cento”, e apesar de estar em crescimento, “continuará a ser uma minoria”, ressalta o missionário.

Do ponto de vista ecuménico, “havia a vontade de fazer mais, com celebrações, por exemplo”, mas reconhece ter sido, sobretudo mais visível a nível social, pois a Cáritas tinha uma forte presença”.

Os missionário combonianos lançaram um projeto no interior da China que procurava “formar líderes” nas comunidades, “lançar sementes de evangelização”.

“Dadas as condições e dificuldades políticas, a presença passava por ser uma pedra escondida, mas acredito que um dia a construção se vá notar. O estar com as pessoas foi uma das coisas que mais ajudou. Sabemos que queremos implementar o nosso ritmo e o perigo é adiantarmo-nos ou ficar para trás. O caminhar e estar com as pessoas é importante”, explica.

O padre António Machado reconhece que o que o conduziu inicialmente à vocação missionária consolidou o seu permanecer naquele território minoritário e fala em valores evangélicos que quando professados e vividos em coerência são um sinal de “interrogação”.

“Viver a minha consagração como religioso, missionário e padre, foi uma experiência que sempre me acompanhou e acompanha, seja em Macau como em Portugal. Os votos que professamos e procuramos viver são uma interrogação para pessoas. Uma coisa simples: em Macau eu dizia que a nível económico não tinha contas pessoais, tudo o que me davam era para a comunidade. Para as pessoas era confuso, pois cada um tem o seu dinheiro. Os religiosos, vivendo com coerência, levam para os ambientes onde vivem e no contacto com as pessoas, os valores evangélicos”, sublinha.

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos decorre até ao dia 25, este ano com propostas feitas pela comunidade monacal de Grandchamp, na Suíça, onde cerca de 50 monjas partilham a vida de oração e trabalho fraterno.

LS

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