Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos decorre até 25 de janeiro com propostas formuladas por comunidade monástica ecuménica

Lisboa, 21 jan 2021 (Ecclesia) – O padre Tony Neves, coordenador do Gabinete de Justiça e Paz dos Missionários do Espírito Santo, afirmou que a vida nas comunidades monásticas assenta na oração comum e na fraternidade, caminhos que devem hoje nortear as práticas ecuménicas.

“São os sinos que mandam em Taizé; e quando tocam para as orações, para tudo na comunidade. Estas senhoras, seguiram essa prática para o seu dia-adia, com a convicção profunda que é a ligação entre a espiritualidade e a fraternidade e solidariedade que devem prosseguir”, explicou o missionário espiritano à Agência ECCLESIA, apresentando a comunidade monástica de Grandchamp, na Suíça, que formulou as propostas de oração para a Semana de Unidade dos Cristãos, a decorrer até 25 de janeiro.

O padre Tony Neves lembra ainda que esta prática é comum à vida monacal e remonta aos padres do deserto, que “fugiam para as grutas, para o meio das montanhas e vivam sozinhos, mas tinham como objetivo ritmar o dia com oração, que marcava a sua relação com Deus e, como consequência, tudo o resto”.

Na comunidade monástica de Grandchamp, na Suíça, vivem 50 religiosas, de diferentes tradições cristãs, com a preocupação de “rezar, aprofundar a espiritualidade, fazer experiência de comunhão e unidade e criar dinâmicas de solidariedade com os mais pobres”.

“A comunidade nasceu na Suíça, nos anos 30 do século XX, numa corrente protestante, tal como o irmão Roger, que fundou a comunidade ecuménica de Taizé. Há uma ligação entre as duas experiências ecuménicas”, indica o entrevistado.

O responsável adianta que a missão dos cristãos tem de caminhar pelas duas vias, “oração e solidariedade”.

O padre Tony Neves analisa que os religiosos, fruto da experiência geográfica, multicultural, “socialmente e sociologicamente falando”, ganham uma sabedoria e uma prática de encontro capaz de ajudar ao diálogo ecuménico e inter-religioso.

“Fazemos experiências muito plurais, vivendo com povos muito diferentes entre si, que nos permite dialogar entre católicos, com vista à abertura, e entre cristãos com vista à unidade”, explica.

O missionário valoriza ainda o conhecimento sobre as “dificuldades do caminho”.

“Nós fazemos uma experiência de uma riqueza enorme mas que muitas vezes é difícil. E estamos em condições de perceber como é difícil o outro caminho com crentes de outras Igrejas e podemos usar o que usamos internamente para criar unidade, para exteriormente também criar unidade com crentes de outras confissões religiosas”, reconhece.

O programa Ecclesia na Antena 1 vai esta semana centrar-se em testemunhos de religiosos colocam o diálogo ecuménico e interreligioso na sua ação missionária e apostólica.

LS

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