Tradição da região de Viseu mostra que o sagrado faz parte do quotidiano das gentes

Viseu, 16 jun 2020 (Ecclesia) – O pároco de Alcafache, na Diocese de Viseu, disse que a referência ao religioso nos “Bordados de Tibaldinho” expressam um “sentido de pertença à paróquia e à região”, onde a dimensão religiosa “faz parte” do quotidiano das pessoas.

“Ainda bem que existe essa ligação, que as pessoas não deixam de olhar o religioso como fazendo parte da sua vida”, disse o padre Nuno Azevedo nas Conversas na Ecclesia, que durante este mês de julho falam das maravilhas da cultura popular portuguesa.

Em cada dia, a Agência ECCLESIA valoriza a dimensão religiosa presente nas várias regiões de Portugal, nomeadamente entre as tradições finalistas às sete maravilhas da cultura popular.

Os “Bordados de Tibaldinho” são uma tradição na paróquia de Alcafache e diferenciam-se entre os bordados tradicionais portugueses por serem feitos em tecido e linha branca, de linho, e é feito “sempre em conjunto”.

“As senhoras juntam-se nas escadarias das casas para fazer estes bordados, usados para os enxovais, mas que também ganhou lugar  a vertente do sagrado”, afirmou o padre Nuno Azevedo.

O pároco de Alcafache, que é também diretor do Jornal da Beira, da Diocese de Viseu, lembrou esta tradição, quando a maioria das gentes da região se ocupava da agricultura, continuando hoje, apesar de terem “outras ocupações”.

A referência à dimensão religiosa nos “Bordados de Tibaldinho” está presente nas toalhas dos altares, nos mantos para imagens que saem em procissão e em peças bordadas para os sacramentos, nomeadamente o batismo.

O padre Nuno Azevedo desafiou as bordadeiras a fazer um Pálio neste bordado, que serve agora as procissões na paróquia de Alcafache.

“Não há uma paróquia que não tenha uma toalha bordada”, disse o sacerdote, acrescentando que o bordado é um elemento diferenciador no ambiente familiar e religioso.

PR

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