Organização católica denuncia ainda situação «insustentável» no Líbano

Roma, 16 jul 2020 (Ecclesia) – A confederação internacional da Cáritas lançou hoje um apelo ao perdão da dívida dos países mais pobres, a dois dias da reunião virtual de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20.

“A dívida internacional dos países mais pobres da África, algumas partes da América Latina e Ásia teve grandes consequências sociais e económicas. O Papa Francisco tem sempre insistido para que a dívida fosse cancelada, a fim de dar a esses países a possibilidade de seguir caminhos de recuperação e desenvolvimento”, disse o presidente da ‘Caritas Internationalis’, cardeal Luis Antonio Tagle.

O responsável falava aos jornalistas por ocasião do lançamento do Relatório Anual da organização católica.

Segundo o colaborador do Papa, a Cáritas procura “novas respostas aos desafios contemporâneos”, tendo em mente as “consequências dramáticas da pandemia” na saúde e no risco de “fome para milhões de pessoas”.

O cardeal Tagle alertou para a situação no Líbano, Síria e outros países do Médio Oriente, vítimas de “sanções económicas”

“A ameaça da Covid-19 torna a sua vida difícil mais precária”, lamentou.

Aloysius John, secretário-geral da ‘Caritas Internationalis’, reforçou o apelo ao perdão da dívida dos países mais pobres, para que esses montantes sejam aplicados em “projetos de desenvolvimento locais”.

“Cancelem as dívidas dos países mais pobres” foi o pedido do responsável ao G20, sublinhando que mesmo com uma pequena parte desse montante é possível “salvar as vidas de milhões de pessoas”.

O secretário-geral da ‘Caritas Internationalis’ disse ainda que a situação no Médio Oriente se “deteriorou significativamente” nos últimos seis meses, em particular no Líbano, ponto de referência para o envio de ajuda humanitária para países como a Síria ou a Iraque.

Rita Rhayem, diretora da Cáritas Libanesa, falou de um “país à “beira do colapso”, criticando a inoperância da comunidade internacional.

“Estamos a combater duas pandemias, a Covid-19 e a fome”, declarou.

A responsável alertou para a “pior situação económica de sempre” do Líbano, com a moeda a desvalorizar em 80%.

“Com a inflação, torna-se muito difícil comprar comida”, exemplificou.

Já o cardeal Wilfrid Fox Napier, presidente da Cáritas da África do Sul, criticou as relações desiguais entre os países ocidentais e africanos, com “uma dependência quase total das antigas potências ocupantes”.

Para este responsável, a “dívida internacional” é uma “grande limitação ao crescimento e desenvolvimento da África”.

O Relatório Anula da confederação internacional da Cáritas elenca 34 apelos de emergência por causa de crises em todo o mundo, ao longo de 2019.

OC

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