1 de setembro de 2019

 

Os pulmões do planeta repletos de biodiversidade que são a Amazónia e a bacia fluvial do Congo, ou os grandes lençóis freáticos e os glaciares. A importância destes lugares para o conjunto do planeta e para o futuro da humanidade não se pode ignorar. Os ecossistemas das florestas tropicais possuem uma biodiversidade de enorme complexidade, quase impossível de conhecer completamente, mas quando estas florestas são queimadas ou derrubadas para desenvolver cultivos, em poucos anos perdem-se inúmeras espécies, ou tais áreas transformam-se em áridos desertos. Todavia, ao falar sobre estes lugares, impõe-se um delicado equilíbrio, porque não é possível ignorar também os enormes interesses económicos internacionais que, a pretexto de cuidar deles, podem atentar contra as soberanias nacionais.

 Papa Francisco, Laudato si’, 38

Amazónia!

Se tivéssemos que escrever uma só palavra nesta Nota, este ano, infelizmente, era óbvia: Amazónia.

«Estamos todos preocupados pelos vastos incêndios que deflagram na Amazónia. Rezemos para que, com o compromisso de todos, sejam dominados o mais rapidamente possível. Este pulmão de florestas é vital para o nosso planeta». Estas palavras do Papa na Praça de S. Pedro, no passado Domingo, 25 se Agosto, exprimem também o nosso apelo e o nosso sentir.

Já na Nota do ano passado tínhamos citado o Documento preparatório para o Sínodo da Amazónia, a realizar no próximo mês de Outubro. Recentemente, ao lermos o Instrumentum laboris, ficámos impressionados com a qualidade da reflexão que permitirá, estamos certos, ensaiar novos e corajosos passos do nosso ser Igreja que nos lancem para o futuro, guiados pelo Espírito Santo, na continuidade do Concílio Vaticano II.

Unidos aos nossos irmãos Bispos do Brasil (CNBB) e de toda a América Latina (CELAM), também nós afirmamos: “Se a Amazónia sofre, o mundo sofre”.

Também entre nós são bem patentes as consequências das alterações climáticas. Foi já em Abril daquele ano de 2017 que a Conferência Episcopal Portuguesa publicou a Nota Pastoral «Cuidar da casa comum, prevenir e evitar os incêndios» sobre esta realidade que todos os anos nos afecta. A diminuição do caudal dos rios e o risco de seca que continua são suficientes para recomendar uma especial prudência no gasto da água.

A Comissão Episcopal de Pastoral Social e Mobilidade Humana convida todas as comunidades cristãs a dar graças a Deus pela Criação e a pedir ao Criador a conversão dos nossos corações e a dos corações daqueles de quem dependem as efetivas mudanças nas políticas públicas que têm tido estas «dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo» (LS, 13).

29 de agosto de 2019

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