Bispo de Onitsha alerta que a região é «palco de destruição desenfreada e imoral de vidas e propriedades»

Foto: AIS/Portugal

Lisboa, 28 mar 2022 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou para a violência, ataques e raptos contra a comunidade cristã na Nigéria, por parte do Boko Haram e grupos armados, através do testemunho e denúncia de bispos e religiosas.

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, a AIS indica que homens armados atacaram um mosteiro beneditino e raptaram quatro religiosas, no sul da Nigéria, no dia 14 deste mês; as freiras foram libertadas ao longo de uma semana, até 21 de março.

O bispo da Arquidiocese de Onitsha, no Estado de Anambra, no sudeste do país, alertou que esta região se tornou “palco de uma destruição desenfreada e imoral de vidas e propriedades”.

D. Valerian Okeke acrescentou que, por causa da violência, a Igreja apelou às pessoas e famílias, associações e paróquias para que rezarem “o Rosário diariamente e, fielmente, neste período da Quaresma, para que esta nuvem de sangue se desfaça como os muros de Jericó”.

A AIS assinala também que no Anambra, a irmã Esther Nkiru Ezedinachi “viveu um momento dramático” quando o carro onde viajava foi atacado por homens armados que bloquearam a estrada, a 24 de fevereiro, na zona de Oko.

Este ataque à religiosa que trabalha com pessoas em situação de sem-abrigo foi divulgado pelo Denis Hurley Peace Institute (África do Sul), que monitoriza situações de violência contra comunidades cristãs em África, nomeadamente na Nigéria e em Moçambique.

“Começaram a disparar, ficou um caos e as pessoas corriam, confusas. Após cerca de 30 minutos, quando deixámos de ouvir tiros e começámos a ouvir vozes normais, saímos dos nossos esconderijos. Algumas pessoas diziam que tivemos muita sorte, dispararam quatro tiros no para-brisas e partiram o vidro da porta lateral”, recordou, sobre o ataque ao carro onde seguiam cinco pessoas, e duas foram raptadas.

O secretariado português da Ajuda à Igreja que Sofre recorda ainda que a fundação pontifícia na França deu destaque à violência contra os cristãos na Nigéria, na sua vigília de oração ‘Noite dos Testemunhos’, a 28 de janeiro, com uma mensagem do bispo de Maiduguri, uma das “mais atingidas pelos ataques”, nomeadamente do grupo jihadista Boko Haram.

D. Oliver Doeme lembrou a jovem cristã Leah Sharibu, “raptada pelos terroristas” com 15 anos, a 19 de fevereiro de 2018 e recordou que “os piores ataques” aconteceram em 2014, quando o grupo Boko Haram “capturou quase todos os membros da diocese”.

“O número de católicos deslocados é muito superior a 100 mil, mais de 200 igrejas paroquiais e capelas foram destruídas pelos membros da seita. Dois hospitais missionários geridos por religiosas foram completamente destruídos, até destruíram o seminário menor e o centro catequético de formação”, acrescentou.

O bispo da Diocese de Maiduguri partilhou também “boas notícias” e destacou que “a Igreja continua a crescer, apesar dos ataques do Boko Haram”, e a fé do povo “torna-se cada vez mais forte”, divulga a Fundação AIS.

CB/OC

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