Nigéria: Catequista raptado em fevereiro morre após meses de tortura e cativeiro

«A violência recorrente, os sequestros e a destruição sem sentido de vidas inocentes nas nossas comunidades já se arrastam há demasiado tempo», denuncia diocese local

Foto: Fundação AIS

Lisboa, 13 jul 2026 (Ecclesia) – O catequista católico Victor Paul morreu em cativeiro no estado nigeriano de Kaduna, sucumbindo a meses de tortura e inanição, denunciou hoje a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O leigo foi sequestrado no dia 9 de fevereiro durante um ataque terrorista às localidades de Kutaho e Kugir.

A ofensiva criminosa resultou no rapto de cerca de 30 pessoas, entre as quais a mulher do catequista, que se encontrava grávida, e um filho do casal.

A Fundação AIS adianta que a maioria dos reféns foi libertada de forma faseada: as mulheres e crianças alcançaram a liberdade no Domingo de Páscoa, a 5 de abril, seguindo-se outros nove homens no dia 1 de maio e os últimos quatro a 30 de junho.

Apesar das libertações, o catequista católico não resistiu a um quadro de agressões, privação de alimentos e “doenças evitáveis”.

O comunicado da Arquidiocese de Kaduna confirmou que outras cinco vítimas do mesmo ataque também morreram, tendo sido “brutalmente” assassinadas pelos raptores.

“Os nossos corações continuam pesados de tristeza pela trágica perda daqueles que não conseguiram regressar com vida”, escreveu o padre Okewu, chanceler da arquidiocese, na nota oficial citada pela instituição pontifícia.

“A violência recorrente, os sequestros e a destruição sem sentido de vidas inocentes nas nossas comunidades já se arrastam há demasiado tempo e exigem uma resposta imediata e eficaz”, apelou a diocese nigeriana, exigindo mais empenho militar e policial aos governos federal e estatais.

A onda de violência no país tem sido sistematicamente repudiada pela Igreja Católica local, que, dias antes do rapto de Victor Paul, assistiu ao massacre de mais de 160 pessoas num ataque coordenado na localidade de Woro, no estado de Kwara.

“A recorrente carnificina tornou-se uma mancha na consciência da nossa nação”, lamentou o Secretariado Católico da Nigéria (CSN), órgão executivo da Conferência Episcopal, num documento de condenação à criminalidade que assola o país.

“Como podemos explicar os repetidos assassinatos e sequestros em Agwara e Tungan Gero, no estado de Níger, o extermínio de comunidades agrícolas inteiras em Katsina e Kaduna e a violência contínua em Borno?”, questionou o organismo católico.

OC

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