Encontro com os responsáveis da Cúria Romana evocou mortes no Mediterrâneo

Foto Lusa, Encontro de Natal na Cúria Romana

Cidade do Vaticano, 21 dez 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que o Natal se torna presente nos mais pobres, evocando os migrantes que perderam a vida a atravessar o Mediterrâneo.

“Não nos esqueçamos que o Menino deitado no presépio tem o rosto dos nossos irmãos e irmãs mais necessitados, dos pobres que são os privilegiados deste mistério”, referiu, no encontro anual com os responsáveis da Cúria Romana, para a troca de votos natalícios.

O Papa citou um monge egípcio do século XX, Matta el Meskin (Mateus, o pobre), para quem “o nascimento de Cristo é o testemunho mais forte e eloquente de quanto Deus amou o homem: amou-o com um amor pessoal”.

Francisco desejou que a troca de votos natalício seja uma oportunidade para acolher o mandamento do amor, a Deus e ao próximo.

“Jesus não nos pede para O amarmos a Ele em resposta ao seu amor por nós; mas, sim, para nos amarmos uns aos outros com o seu próprio amor. Por outras palavras, pede-nos para sermos semelhantes a Ele, porque Ele Se fez semelhante a nós”, precisou.

A intervenção citou ainda o santo cardeal Newman, canonizado em outubro, sobre o Natal: “Este é o tempo da inocência, da pureza, da mansidão, da alegria, da paz”.

A reflexão sobre a reforma da Cúria Romana, que dominou o encontro, abordou o trabalho do novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, observando que não estão em causa “apenas de questões sociais ou migratórias, mas pessoas humanas, irmãos e irmãs que hoje são o símbolo de todos os descartados da sociedade globalizada”.

A Igreja Católica, referiu o Papa, “está chamada a testemunhar que, para Deus, ninguém é «estrangeiro» nem «excluído»”.

“Está chamada a despertar consciências adormecidas na indiferença perante a realidade do Mar Mediterrâneo que se tornou para muitos, demasiados, um cemitério”, apelou.

Francisco sublinhou que a fé em Deus une todos os seres humanos como irmãos.

“O Evangelho não cessa de trazer a Igreja à lógica da encarnação, a Cristo que assumiu a nossa história, a história de cada um de nós. Isto lembra-nos o Natal”, declarou.

OC

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