D. José Traquina lembra que «família existe para bem e realização da vida e defesa das pessoas»

Santarém, 11 dez 2019 (Ecclesia) – O bispo de Santarém afirma que “é necessário apontar caminho diferente” numa sociedade com “acentuada secura espiritual” a nível mundial com “revoltas, migrações forçadas e muitas manifestações” e em Portugal “milhares de queixas de violência”.

“Temos em vários países, revoltas, migrações forçadas, e muitas manifestações de poder onde as pessoas não são defendidas. Entre nós, temos a informação dos milhares de queixas de violência doméstica, violência entre jovens e abusos sexuais sobre crianças e outros menores”, alerta D. José Traquina na mensagem de Natal divulgada hoje.

O bispo de Santarém observa que a família, em muitas situações, se torna-se “o espaço da promiscuidade e da prática do crime”, quando “existe para bem e realização da vida e defesa das pessoas”.

“Isto faz-nos pensar acerca das raízes do mal social e como o resolver. É mesmo necessário que haja Natal. É necessário apontar caminho diferente, e não será apenas com mais dinheiro e mais estabelecimentos prisionais”, desenvolve.

Neste contexto, lembra que têm “responsabilidade de colaborar na edificação do bem comum” e pede que se promova “a vigilância interior” porque sem sabedoria e sem um coração purificado do mal, “não é possível viver humanamente”.

D. José Traquina sugere que todos “valorizem o que têm” e promovam o acolhimento e o perdão que são necessários para um “bom ambiente familiar”.

Esse será o vosso maior tesouro de Natal. Poderá acontecer que alguma coisa não corra tão bem como seria desejável. Se isso acontecer, lembrai-vos de Nossa Senhora; com ela aconteceu o mesmo, mas não fez birra, nem deu lugar à tristeza”.

Para o bispo de Santarém, Deus “foi e é surpreendente” não nasceu neste mundo com “riquezas materiais” nem com receitas para os problemas, mas valorizou “a vida humana em cada pessoa e a família” e na celebração do Natal contempla-se essa “surpreendente iniciativa”.

“Se Deus fosse indiferente, tinha ficado quieto no Céu e deixava que o afastamento do homem e da mulher continuasse, até chegar à ‘escuridão’ total do não sentido da existência humana”, acrescenta o bispo de Santarém, realçando que Deus “não é indiferente nem vingativo” e o Nascimento do Jesus é numa “família pobre e sem lugar digno para nascer”.

D. José Traquina escreveu também uma mensagem de Natal para as crianças, onde dá continuidade ao diálogo do burro e da vaca do Presépio que começou em 2018, os dois animais “presenciaram toda a movimentação” do nascimento de Jesus.

“O burro, como sabemos, segundo as orientações de São José, transportou a Virgem Maria que estava grávida. A vaca, que pertencia ao dono do estábulo, permanecia ali para aquecer o ambiente onde havia de nascer o Menino. Reparem bem no cuidado de São José, não encontrou melhor espaço para o Menino nascer e, portanto, alugou aquele estábulo, mas incluiu no contrato a presença da vaca para aquecimento do espaço e fornecimento de leite”, contextualiza.

O bispo de Santarém pede aos “amigos mais pequenos” que “não esqueçam de pedir em oração pelos pais e avós e também pelas crianças mais pobres do mundo”, “porque a oração das crianças tem muito valor” e revela que também vai “rezar a Jesus, pedindo por todas as crianças e suas famílias”.

CB/OC

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