Testemunhos de quem viveu o 25 de dezembro em Taiwan e no Brasil

Lisboa, 24 dez 2015 (Ecclesia) – O Natal é uma época em que a família se reúne num ambiente propício à fraternidade, mas há quem passe o 25 de dezembro em terras longínquas.

O padre Vítor Silva é missionário espiritano e Taiwan foi o local de missão durante 11 anos; ali passou muitos dias de Natal, bem diferentes.

“Todas as coisas que existem nos centros comerciais existem lá também, há muitas árvores de natal, muitos pais natais…”, diz o sacerdote, com um sorriso.

Em Taiwan, o dia de Natal não era feriado mas não era por isso que o deixavam de celebrar.

“Pelo contrário esta era uma época de grande evangelização, muito interessante. Havia muita gente que não era crista nem se identificava mas o aspeto ternurento do Natal levava-as à Igreja. E ali estava a oportunidade de nos aproximarmos e falar com algumas pessoas”, contou o padre Vitor Silva à Agência ECCLESIA.

O Natal transformava-se assim numa “época de encontro com pessoas que de outra forma não era possível”, realidade que faziam o missionário não ter tempo para cozinhar o tradicional bacalhau.

“Faziam-me chegar o bacalhau mas estávamos sempre ocupados, mas sobretudo fazia-me bem ter, porque sentia que não era só eu que estava lá mas a família fazia-se presente, a família participava da missão, de certa forma”, lembra.

O padre Vitor Silva regressou àqueles dias em que passou o Natal em Taiwan e recorda que até as conversas eram outras com a sua família: “Eu notei que estar separado da família, durante tanto tempo ajudou-me a relacionar melhor com eles, falávamos de outras coisas”.

Estando numa cultura diferente, o sacerdote sentia que havia mesmo uma perspetiva e uma valorização diferentes.

“Estar fora ajuda-nos a olhar para a nossa cultura com olhar diferente, por exemplo, há coisas bonitas da nossa cultura, a maneira de ser, de viver ou celebrar que estamos tão habituados que nem valorizamos”, assegurou.

Também longe mas com uma azáfama diferente foi o Natal de Catarina António, há dois anos: tinha chegado ao Brasil, destino da sua missão com os irmãos Hospitaleiros, dias antes da celebração do Natal.

“Foi uma chegada difícil porque na minha aldeia tinham falecido, num acidente, três pessoas de quem gostava muito. Aí começou o meu Natal, quando as lágrimas caíram de tristeza e revolta e o Natal foi centrado no dia-a-dia daquele ambiente novo”, como contou à Agência ECCLESIA.

Depois do início difícil da missão, Catarina António olhou em frente o Natal e esteve ao serviço: “Fomos à missa do Galo e depois viemos cear. Tivemos o peru, o arroz e feijão, tipicamente brasileiro, o chope e ainda o vinho”.

“Naturalmente, fomos partilhando com os vizinhos o nosso jantar e sempre com a porta aberta, rezámos e fomos dormir. No dia seguinte, dia de Natal, estivemos ao serviço como qualquer outro dia”, explicou ainda.

Dois testemunhos de viver a época de Natal, longe de cada e da família, mas descobrindo que evangelizar e estar ao serviço são elementos natalícios.

SN

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