Não sou melhor do que eles

José Luís Nunes Martins

Foto: RODRIGO GONZALEZ na Unsplash

Passo muito do meu tempo a criticar muitas pessoas, quando, na verdade, elas não são piores do que eu.

Todos temos qualidades e defeitos. Reparar nos defeitos dos outros e compará-los com as minhas qualidades não é mentira, mas também não é justo. Estou a negar algo muito mais importante: talvez sejamos mais parecidos uns com os outros do que julgamos à primeira vista.

Somos sempre muito hábeis e perspicazes a detetar nos outros os defeitos que nós próprios também temos e, de alguma forma, dominamos essas técnicas. Alguém que mente é ideal para apanhar as mentiras dos outros. Ora, isso significará que, quando me dedico a encontrar as falhas dos outros, serei tanto melhor nessa tarefa quanto mais parecido com eles eu for — o que é inquietante.

Quantas vezes encontramos na negação da realidade a nossa forma de ver o mundo? Negamos os nossos defeitos, o que nos isenta de agir sobre eles. Da mesma forma, negamos as qualidades daqueles com quem convivemos, o que nos permite acreditar que somos melhores do que eles.

A humildade não é uma virtude, é a base de todas as virtudes. A humildade é a verdade. Nenhum de nós é mais do que pouco. Somos muito importantes, mas também somos insignificantes.

Nos caminhos da existência, nunca ninguém se perdeu por ser humilde.

Se formos quem somos, se lutarmos por ser melhores em face das falhas que reconhecemos em nós, se encontrarmos em nós e nos outros os dons de cada um, então viveremos com autenticidade e verdade.

Quem nega a verdade vive, afinal, em que realidade?

 

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

Partilhar:
Scroll to Top