Luisa Gonçalves, Diocese do Funchal
Ainda há doenças de que se fala em voz baixa. A doença mental é uma delas. Não porque seja menos real, mas porque continua cercada de preconceitos, medo e, demasiadas vezes, vergonha.
É precisamente contra esse silêncio que se levanta o apelo do Papa na intenção de oração deste mês de outubro, dedicada à Pastoral da Saúde e às pessoas que sofrem com problemas de saúde mental. Mais do que um convite à oração, é um convite a mudar o olhar.
Porque uma pessoa com depressão, ansiedade ou outra doença mental não é a sua doença. É uma pessoa que sofre e que precisa de ser acompanhada, escutada e respeitada.
O estigma pode ferir tanto como a própria doença. Dizer a alguém para “ter força”, “animar-se” ou “deixar isso para trás” não resolve o sofrimento. Muitas vezes, apenas aumenta a solidão de quem já se sente incompreendido.
A Igreja, neste campo, tem uma responsabilidade importante. As comunidades cristãs devem ser lugares onde ninguém sinta vergonha de dizer que não está bem. Lugares de presença, escuta e acolhimento, sem julgamentos. A Pastoral da Saúde pode ser uma expressão concreta dessa proximidade.
Mas este desafio não é apenas da Igreja. É de todos.
Precisamos de aprender a reconhecer o sofrimento dos outros e, sobretudo, a não o desvalorizar. Precisamos de falar mais de saúde mental, não para transformar tudo em diagnóstico, mas para acabar com a ideia absurda de que pedir ajuda é sinal de fraqueza.
Talvez seja esta a verdadeira força da intenção do Papa: lembrar-nos de que rezar por quem sofre também significa estar disponível para essa pessoa.
Porque ninguém deveria ter de esconder a sua dor para ser aceite.
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